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Puno e as imperdíveis ilhas flutuantes do Lago Titicaca

Puno e as imperdíveis ilhas flutuantes do Lago Titicaca

Ilhas flutuantes de Uros

Nessa semana, postei um texto sobre Copacabana, Ilha do Sol e a parte boliviana do lago Titicaca. Quem leu, sabe o quanto gostei da tonalidade vibrante das suas águas, além das belas trilhas e ruínas incas.

Hoje, sigo escrevendo sobre o maior lago navegável do mundo. Porém, dessa vez é o lado peruano do Titicaca que está em pauta. Para acessá-lo, o viajante precisa ir à Puno, localizada a 3h30 de ônibus de Copacabana, 5h de La Paz, 7h de Cusco ou 5h de Arequipa, para citar algumas das cidades mais próximas.

Chegando lá,  existem dezenas de agências, especialmente na Rua Jr. Lima, que oferecem o passeio às ilhas Uros (1/2 dia), Uros-Taquile (1 dia) ou Uros-Amantani-Taquile (2 dias). Eu fechei Uros-Taquile por 35 soles com um representante  da Lago Tours, que oportunamente estava dentro do ônibus que peguei em Copacabana.

Sobre Puno

Catedral de Puno

Com o tour comprado, dei uma rápida volta no centro, passando pela Catedral e pelo mercado, que sempre gosto de visitar para ver de perto os alimentos e hábitos locais. Existem outros lugares recomendados que não tive tempo de ir, como a casa colonial Del Corregidor, que depois de restaurada virou centro cultural; o Museu Carlos Dreyer, que tem uma exposição de objetos de ouro, cerâmica e artesanatos precolombinos; e o Museu da Coca e dos Costumes, com uma vasta explicação sobre o uso ancestral da folha de coca na cultura andina.

Muitos dizem que a cidade é perigosa. Pessoalmente, circulei com tranqüilidade, tomando os mesmos cuidados de sempre. Além disso, com o serviço de cooperativas de taxi entre 1 e 3 soles não há porque ficar circulando a pé à noite, correndo o risco de se perder.

Ilhas flutuantes de Uros

Solo e casas de totora na Ilha de Uros

O passeio começa cedo e às 08h00 meu barco saiu do porto de Puno. As primeiras ilhas flutuantes não demoraram a aparecer. De cara, fiquei impressionada com a vastidão do arquipélago.

Quando desembarcamos, logo constatei o respeito e fascínio que tenho por culturas ainda tão preservadas na sua essência. Custei a crer que tantas famílias viviam há séculos naquelas ilhas sem nunca terem migrado para Puno.

Simpático morador explica como as ilhas seguem flutuando no lago Titicaca há séculos.

Rapidamente meu grupo foi recepcionado por um morador, que esclareceu que no próspero Titicaca não faltava caça nem pesca e que o turismo mantinha a economia da região. Ressaltou ainda que em Puno muitos deles fatalmente acabariam vivendo à margem daquela sociedade moderna, trabalhando em sub-empregos com baixíssima remuneração. Ele também nos explicou que as ilhas se mantém flutuantes a partir do constante entrelaçamento da totora, tipo de capim ultra resistente e multi funcional.

Bordados e artesanatos de totora

Após essa conversa, fomos convidados a conhecer por dentro as casas feitas da onipresente totora (que serve até como alimento!). Algumas mulheres aproveitaram para mostrar seus bordados e outros artesanatos. Em seguida, fomos presenteados com colares de boas-vindas e alguns turistas aproveitaram para navegar pelo lago nas canoas de (adivinha?) totora.

Moradores multicoloridos cantam e fazem festa em Uros.

Para fechar a visita, o guia propôs que cada visitante mostrasse aos nativos uma música do seu país. Gosto de interagir, mas cantar (mal) em público sempre foi um bloqueio. Nesse momento, deu-se um sem gracismo generalizado. Foi aí que, inexplicavelmente, cantarolei “Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz…” e fui presenteada com um sorriso enorme dos moradores. Percebi, naquele momento, o valor de se comunicar da forma mais honesta possível através de um gesto tão simples e transformador quanto a música, seja ela bem ou mal cantada.

Ilhas Taquile

Mais do que feliz pela experiência em Uros, segui junto ao grupo rumo à Taquile, uma ilha que não é flutuante, mas sem dúvida merece ser visitada. Essa viagem é um pouco mais longa e, até pela distância, o local tem raízes e costumes ainda mais preservados.

Artesão e mulheres dançando nas Ilhas de Taquile

Assim que desembarcamos, encaramos uma subida pela ilha enquanto admirávamos ovelhas pastando nos seus terraços verdes. Quando chegamos no alto, nos unimos a um grupo de artesãos locais, composto majoritariamente por homens. São eles, aliás, os responsáveis pela tecelagem de algumas das peças mais lindas e raras da cultura indígena peruana.

As mulheres do grupo, cobertas por um lenço negro, também se aproximaram e mostraram um manto de cabelos feito de crochê no período do noivado, como símbolo de estima e proteção ao futuro marido.

Vista do lago Titicaca nas Ilhas Taquile

A vista de cima daquela colina era para o imenso Titicaca. Foi nesse cenário que assistimos a um show de dança e musica típica de Taquile. Fui convidada para dançar no meio dos moradores da ilha e, depois de cantar em Uros, me vi novamente aceitando um convite inesperado sem pestanejar.

O almoço, super agradável, teve sopa de quinua de entrada e truta fresquinha acompanhada de arroz e batatas como prato principal. Seguimos o passeio contornando a ilha  a pé e observando a rotina dos seus habitantes. As crianças saindo da escola, os agricultores arando a terra, cenas de um dia comum em Taquile.

O tour terminou com uma visita às ruínas de origem inca e tiwanaku (civilização anterior a inca). Do topo da ilha, avistava-se uma escada de pedras com mais de 500 degraus. O sol ainda alto iluminava o Titicaca. Desci lentamente o percurso para aproveitar cada instante de um dos passeios mais bacanas e emocionantes que fiz durante a viagem.

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Igrejas, museus, San Blas – Monte seu roteiro para desvendar a cidade de Cusco.

Igrejas, museus, San Blas – Monte seu roteiro para desvendar a cidade de Cusco.

O centro de Cusco é uma aula de história ao ar livre. É daqueles lugares que, quando você menos espera, pode topar com uma pedra que na realidade foi uma elaboradíssima construção inca com mais de 500 anos.

Entre as características mais marcantes da cidade está a sobreposição da cultura católica espanhola aos costumes indígenas. Abalados por uma guerra civil, os nativos ofereceram pouca resistência quando os conquistadores alcançaram a capital do império inca em 1532, trazendo armas, cavalos e doenças devastadoras.

Contudo, os incas era tão brilhantes em sua arquitetura, engenharia e habilidades manuais, que muito da sua cultura permaneceu após a colonização. Um exemplo é a construção das igrejas, que usou como base a resistente estrutura de pedra dos templos incas.

 A escola de pintura cusqueña, que se desenvolveu nos séculos XVI e XVII, também reflete o encontro do talento dos índios e mestiços com os ensinamentos  e a técnica dos artistas jesuítas vindos da Europa, muitos deles da Itália.

Para desvendar a cidade de Cusco, separe ao menos um dia para caminhar com calma pelas suas ruas. Aqui, alguns dos lugares do centro histórico que adorei conhecer e recomendo aos viajantes:

Catedral: Símbolo da Plaza de Armas, a maior e mais bonita igreja de Cusco começou a ser construída no século XVI com pedras retiradas de importantes construções incas da região. Seu interior impressiona com altares de ouro, estátuas, pinturas e murais que trazem claras influências indígenas, como é o caso do Puma esculpido na sua porta principal.  As visitas, que são pagas (s/20), podem ser feitas das 10h00 às 18h00, diariamente. Mais cedo, a igreja abre apenas para os freqüentadores das missas.

 Q’Orikancha: O belo templo foi construído no reinado do inca Pachacutec em homenagem ao sol. Por tratar-se de um símbolo divino, a construção era refinada, suntuosa e repleta de objetos de ouro. Hoje, após sucessivos saques, sobraram as estruturas de pedra resistentes aos terremotos que foram usadas pelos espanhóis na construção da Igreja de Santo Domingo. Vale um tour guiado disponível de segunda a sábado das 08h30 às 17h30. A entrada custa s/10 e a visita ao museu do local está incluída no boleto turístico, sobre o qual escrevi neste post.

Igreja La Compañia e Igreja La Merced – Para quem quiser apreciar arte Cusqueña, vale visitar a primeira igreja que fica na Plaza de Armas e costuma ser ofuscada pela Catedral. Ali é possível ver um  mural representando a união de um conquistador espanhol com uma princesa inca. Já La Merced fica mais ao sul e guarda uma preciosidades: um recipiente de hóstias de ouro maciço incrustado com pedras preciosas.

Museu de Arte Precolombino: Dentre todos os museus da cidade (Museu Inka, Museu Hilário Mendívil, Museu de Arte Contemporânea, Museu de Arte Religiosa, etc), destaco este como meu preferido. Além de bem conservado, com ótimas explicações sobre as obras expostas, o museu conta com uma vasta coleção de cerâmicas, jóias e esculturas precolombinas, abrangendo não apenas a cultura inca, mas também a Nasca, Mochica, Huari e Chimu. Funciona diariamente das 09h00 às 22h00 e o ingresso custa s/20.

San Blas: O bairro fica ao norte da Plaza de Armas e é uma dos locais mais charmosos de Cusco por reunir uma série de artistas, ateliers e bares que atraem os turistas boêmios. Na praça de San Blas há uma feira de artesanato sempre movimentada e divertida. Lá, também pode-se visitar uma pequena, porém interessante, igreja de adobe.

Dica: Na Praça de San Blas está um dos melhores restaurantes da cidade,o Pacha Papa. Ideal para quem quer provar um dos pratos típicos do Peru, como o Cuy ao forno (espécie de porco da índia),  a carne de alpaca ou o lomo saltado.

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El Encuentro e Green Organic: 2 restaurantes em Cusco para comer bem e saudável.

El Encuentro e Green Organic: 2 restaurantes em Cusco para comer bem e saudável.

Quem chega em Cusco não demora a ouvir o conselho “andar despacito, comer poquito y dormir solito”. Isso porque a cidade está a 3.500 metros de altitude e boa parte dos turistas demora pelo menos um dia para se adaptar  e deixar de sentir os efeitos do soroche, como são chamados os enjôos e dores de cabeça de maior ou menor intensidade ocasionados por essa mudança brusca.

Para evitar esse contratempo, você não precisa necessariamente comer poquito, mas sim optar por refeições leves, que também podem ser muito saborosas e nutritivas. Pensando nisso, seguem duas boas dicas de restaurantes testados pelo La Chica de Mochila.

 El Encuentro

Preços incríveis e comida caprichada! Fotos: El Encuentro

É o melhor custo-benefício da cidade e foi paixão à primeira vista assim que provei os pratos com ingredientes orgânicos, integrais e preparados com tanto carinho. E mais: onde comer um menu digníssimo com direito a bebida, sopa, salada e prato principal por 6 soles (MENOS DE 4 REAIS) ? E isso justamente em Cusco, um lugar bem inflacionado pelo turismo. É pra amar mesmo!

No El Encuentro, você degusta uma bela comida vegetariana, super bem temperada, como deve ser. O astral do restaurante é bacana e te convida a compartilhar a mesa com outros viajantes. Além do menu do dia, existem boas opções a la carte,  entre 8 e 15 soles, como saladas, panquecas, massas, sanduíches, omeletes e outros pratos criativos como o Chicharrón, uma especialidade peruana, adaptado com carne de soja.

São 3 unidades bem localizadas que abrem no almoço e no jantar. Tome nota: Calle Choquechaca no.136, Tigre no. 130 e Santa Catalina  no. 384 (minha preferida!). Uma dica: chegue cedo, pois o El Encuentro é muito procurado e as opções de menu por esse preço  excelente vão acabando com o passar das horas.

Veja o cardápio completo e mais informações aqui.

Green Organic

Pratos com alimentos orgânicos e sustentáveis. Fotos: Green Organic

 Para uma experiência mais gourmet, mas mantendo a culinária natural, o Green Organic é uma boa pedida. As refeições são elaborados com base no comércio justo e sustentável e todos os alimentos servidos vem de pequenos produtores do Vale Sagrado, região vizinha à Cusco.

Um diferencial do restaurante é a composição dos pratos, que é feita pelo próprio cliente. No menu, há uma seção de proteínas, com peixes e carnes, que pode ser combinada com guarnições da lista de carboidratos, cereais, legumes ou massas.

Pedi uma truta com tabule de quinua e purê de batata e um suco de pêssego, banana e morango que valeu um repeteco. O preço de 50 soles, em média, por pessoa reflete a originalidade do lugar, que tem uma atmosfera moderna e acolhedora, com algumas mesas com vista para a Plaza de Armas.

Vai lá: Calle Santa Catalina Angosta 135, Piso 2. Aberto diariamente das 12h00 às 21h30. Mais informações no site.

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Três passeios nos arredores de Cusco que você precisa fazer.

Três passeios nos arredores de Cusco que você precisa fazer.

Cusco é um destino super disputado na América do Sul. Afinal, é ponto de partida para Machu Picchu, um dos complexos arqueológicos mais importantes do mundo! No entanto, o entorno da cidade reserva outras boas surpresas que merecem alguns dias da sua viagem. Saiba quais são e como conhecê-las.

Boleto Turístico de Cusco

 O boleto turístico

Chegando em Cusco, uma das primeiras providências a serem tomadas é comprar este boleto que será seu passaporte para 16 atrações localizadas na cidade e nos arredores.

O lugar mais prático para adquiri-lo é a Oficina Executiva do Comitê do Boleto Turístico, que fica na Av. El Sol, no. 103, a 5 minutos de caminhada da Plaza de Armas.

O valor, um tanto salgado, de 130 soles é a melhor opção para o viajante, já que os lugares contemplados pelo boleto não vendem entradas avulsas. Para estudantes com carteirinha da ISIC, o preço cai para s/70.

Obs: Embora o boleto seja imprescindível no acesso a alguns dos principais locais de interesse, incluindo partes dos 3 tours descritos abaixo, vale ressaltar que pontos como a Catedral (s/25), Q’oricancha (s/10), o Museu de Arte Precolombino (s/20) e o Museu Inka (s/10) cobram entradas à parte.

Veja aqui, em detalhes, quais lugares fazem parte do boleto.

 1) City tour 

Qorikancha, Tambomachay e Sacsayhuamán

É um passeio que dura meio dia e geralmente é feito na parte da tarde, a partir das 14h00. Nele, você conhecerá boa parte da história da fundação da cidade imperial de Cusco, visitando as ruínas de Q’oricancha, bem no centro da cidade, e Sacsayhuamán, Q’enqo, Pucapuara e Tambomachay, estas a um raio de até 11km da Plaza de Armas.

Destaque para Sacsayhuamán, que representa a cabeça de Cusco, já que a cidade foi planejada para ter o formato de um Puma, animal sagrado para os incas. Estima-se que mais de 20 mil pessoas tenham trabalhado na construção deste importante complexo militar do século XV. Hoje, além das ruínas, é possível aproveitar a linda vista panorâmica  que o local oferece.

2) Vale Sagrado

Mercado de Pisac, Ollantaytambo e comunidade têxtil em Chinchero.

É um dos passeios mais bacanas, na minha opinião, por combinar visitas históricas às ruínas com o contato com os moradores das cidades do Vale. Muitos deles, aliás, ainda falam quéchua, a língua nativa dos índios da região.

Por unir passado e presente, o tour é uma verdadeira aula de sociologia in loco. Sendo assim, capriche na escolha da agência para pegar um guia bem legal!

O passeio, que dura um dia inteiro, começa rumo à Pisac. Aqui, há um tradicional mercado de rua às terças, quintas e domingos que rende boas compras em artesanatos, roupas de alpaca, acessórios de prata, além de farta exposição de frutas, verduras e legumes típicos.

Em seguida, há um almoço em Urubamba, para degustar a culinária cusqueña, acompanhada por um pisco sour ou uma chicha morada e um show de música peruana.

De Urubamba, o tour percorre mais 19km até Ollantaytambo, onde está uma das zonas arqueológicas mais interessantes do Vale Sagrado. Você verá de perto um conjunto de construções incas com finalidades agrícolas, religiosas, militares e administrativas.

O dia termina com um passeio por Chinchero e suas casas de adobe, passando por uma igreja colonial que data do século XVII e uma comunidade de artesãos que mostram o processo natural de tingimento das lãs com as quais são feitos artesanatos e roupas.

3) Moray & Maras

Terraços agrícolas e artesanato em Moray e salineiras de Maras.

Menos popular do que os dois outros passeios, o tour pode ser feito na parte da manhã. Particularmente, foi uma grata surpresa na minha viagem!

Em Moray, a 48 km de Cusco, pode-se ver de perto um verdadeiro laboratório agrícola dos incas. Trata-se de uma estrutura circular gigante composta por diversos terraços que possuem microclimas diferentes. Isso possibilitou o crescimento de uma farta diversidade de grãos, que foram a base da alimentação inca e são, até hoje, a raiz da culinária local, como é o caso do maiz (milho).

Na sequência, você será surpreendido pela impressionantes vista das salineiras de Maras, que parecem uma pintura em tons de marrom, bege e branco nas montanhas. São uma série de tanques irrigados pelo rio que, quando secam, formam blocos de sal que são extraídos e vendidos pelos moradores locais.

PS: Os roteiros mencionados aqui podem sofrer alterações de acordo com o itinerário da cada agência.

Agências

A inegável vocação turística de Cusco  vem acompanhada por milhares de agências e representantes que seguramente te abordarão nas ruas oferecendo passeios. Além da sempre recomendável pesquisa de preços, cheque os detalhes do pacote  e busque referências sobre as empresas.

Andina Travel, Explorandes e Inka Terra são algumas das mais reconhecidas. Porém, prepara-se para preços voltados para gringos do hemisfério norte. Para tarifas mais amistosas e serviço igualmente confiável (mas sem tantos luxos), recomendo a Reserv Cusco. (ver observação da leitora Ana Maria na caixa de comentários).

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Águas Calientes: onde ficar e comer na cidade base para quem vai à Machu Picchu.

Águas Calientes: onde ficar e comer na cidade base para quem vai à Machu Picchu.

Durante minha viagem pelo Peru, conheci pessoas que adoraram e outras que se decepcionaram com a ultra turística Águas Calientes. Particularmente, achei a cidade bem simpática, mas devo reconhecer que os preços inflacionados nem sempre correspondem à qualidade do serviço, o que pode tirar alguns pontos da experiência por lá. Por isso, com o intuito de melhorar sua estadia, achei válido reunir algumas boas dicas de hospedagem e alimentação.

Mesas na calçada do Chez Maggy, sobremesa delicinha do Tree House e quarto com vista para a floresta no Rupa Wasi/ Fotos: Chez Maggy e Rupa Wasi

ONDE COMER

Chez Maggy: Para os viajantes econômicos, que não querem gastar mais do que 25 soles, cá está a pizzaria Chez Maggy, bem no meio do burburinho da cidade, na Av. Pachacutec, 156. Com suas famosas redondas e um menu que contempla ainda pastas e pratos regionais, o restaurante familiar já é conhecido em Cusco, onde tem duas unidades.  Bom custo-benefício para anotar no caderninho pré viagem!

Índio feliz: Para quem está  buscando um menu mais rico, diverso e sofisticado, a pedida é o Índio Feliz. O local, que se define como “bistrô, bar e creperia” está sempre cheio com sua mescla de culinária peruana e francesa. É uma delícia e tem menu do dia por 54 soles na Calle Yupanqui, 4.

Tree HouseCom produtos típicos, como a truta, a alpaca e o Cuy (espécie de porquinho da índia criado no Peru), mas também com opções vegetarianas, como o risoto de quinua, o Tree House fica mais afastado do centro, na Calle Huanacaure, 180.  É um bom local para quem quiser fugir da aglomeração de turistas e se lançar em um programinha mais romântico e gourmet provando os menus degustação de 6, 8 ou 10 pratos. Os preços sobem um pouco e podem chegar a 70 soles. Ah, é o restaurante do hotel Rupa Wasi, sobre o qual falo a seguir.

ONDE FICAR

Rupa Wasi Lodge – Bem charmoso, o hotel oferece diárias em quarto duplo por USD69,00 (standard) e USD 109 (superior), sendo alguns deles com vista panorâmica para a floresta. Os preços aumentam na alta temporada, nos meses de julho e agosto, por isso é legal checar antes as tarifas aqui. Fica no mesmo endereço do restaurante Tree House (Calle Huanacure, 180).

>>> Uma dica bacana é pedir o “lunch box” deles, uma espécie de merenda com sanduíche, barra de cereal, suco e frutas secas  para quem pretende passar o dia visitando Machu Picchu. O preço de USD 10,00 é bem ok, se compararmos com os valores absurdos da única lanchonete que fica na entrada das ruínas.

Pirwa Hostel – O hostel é para quem abre mão das regalias, belas vistas e amenities em nome de uma diária mais amistosa (barata ;)), o que veio a calhar para mim que viajava sozinha e quase sempre tinha que arcar com uma tarifa double. No Pirwa, o quarto com cama de casal e banheiro privativo sai por USD 35,00, incluindo café-da-manhã. É bem localizado (Calle Tupac Yupanqui, 103), tem banho quente, computador e wi-fi para os hóspedes…. enfim: achei digno!

Para quem ganhou na loteria, para quem quer chutar o balde, para quem está em lua-de-mel…

tem o Machu Picchu Sanctuary Lodge! O hotel fica do ladinho de Machu Picchu. Também tem massagem, aromaterapia, restaurante premiado com cardápio internacional porque, afinal de contas, é coisa de mais de USD 1.000 a diária!

Para os curiosos ou para aqueles que estão com plata sobrando no bolso, dá para espiar mais sobre o hotel aqui.

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Onde comprar entrada para Machu Picchu, validade e preço do ticket

UPDATE: A Lu Malheiros, do blog Dividindo a Bagagem, esteve recentemente em Machu Picchu e conta sobre as mudanças na compra de ingressos, incluindo a reserva para subir a montanha Huyana Picchu. Leia o texto na íntegra aqui.

Informação fundamental para quem vai à Machu Picchu: o ticket deve ser providenciado em Cusco ou Águas Calientes, não sendo possível adquirí-lo direto na entrada do parque.

Entrada de Machu Picchu Foto: TravelPod

Em Cusco vá ao Instituto Nacional de Cultura (INC), que fica na Calle San Bernado, a poucas quadras da Plaza de Armas. Em Águas Calientes, vá ao Centro Cultural de Machu Picchu, facinho de achar, próximo à estação de trem Machu Picchu Pueblo.

Na hora, prepare-se para desembolsar 126 soles (dólares não são aceitos). Estudantes pagam meia, mas somente com a carteirinha internacional da ISIC. Após emitido, o ticket deve ser usado dentro de 3 dias, sendo que é válido apenas para 1 dia de visita ao local.

O complexo arqueológico de Machu Picchu fica aberto das 06h00 às 17h30. Na entrada, você precisará deixar seus pertences, se forem grandes, em um guarda-volumes. Ao lado, há uma salinha para quem quiser carimbar o passaporte com uma estampa de Machu Picchu. Eu, que costumo levar super a sério qualquer informação no passaporte,  não resisti e registrei minha passagem por lá!

Ah, uma dica: fuja correndo da lanchonete e da lojinha de souvenirs que cobram preços SURREAIS! Para comprar lembrancinhas,  dê um pulo na feira que fica na estação de trem de Águas Calientes.

Se tiver que fazer um investimento, que seja na hora de contratar um bom guia, pois andar pelas ruínas sem ter idéia do que elas representam é um desperdício e tanto! Você pode negociar o preço lá mesmo, variando geralmente de USD10 a 15 por pessoa em um grupo de 5. Uma idéia mais econômica, boa para quem viaja sozinho, é comprar um livro que traga as principais informações sobre o lugar.

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La Chica de Mochila ensina como ir de trem a Machu Picchu.

La Chica de Mochila ensina como ir de trem à Machu Picchu.  Existem dois perfis comuns de roteiro para quem vai à Machu Picchu de trem: fazer tudo em um dia só ou pernoitar em Águas Calientes.

Apesar de ser uma grande entusiasta da trilha inca, reconheço que estas opções podem ser as melhores para quem está fora de forma, tem problemas de saúde, pouco tempo de viagem  ou mesmo não é muito fã de trekking.

Trem: opção para quem quer conhecer Machu Picchu sem fazer a trilha inca. Foto: Perurail

Machu Picchu em em um dia só

O trem sai de Cusco rumo a Águas Calientes entre 06h00 e 07h00 e chega em torno das 10h00 na cidade. O retorno costuma ser por volta das 16h00, dependendo do trem escolhido.

Machu Picchu sempre vale a pena, mas é importante saber que não dará tempo de pegar senha para escalar Huayna Pichu, montanha que dá uma vista panorâmica do complexo arqueológico. Além disso, você fará a visita no horário de pico dos demais turistas. Na alta temporada (julho e agosto), prepare-se para conviver com um certo “auê” que reduz consideravelmente a paz do lugar.

Chegando na cidade-base para subir até Machu Picchu, você deverá pegar um micrôonibus que custa USD 7,00 cada trecho.

Atenção: não esqueça de comprar a entrada para Machu Picchu direto em Cusco. Isso te economizará um tempo precioso em Águas Calientes.

Machu Picchu com pernoite em Águas Calientes (RECOMENDADO)

Nesse caso, você chega com calma em Águas Caliente, com tempo para dar uma voltinha na cidade (que é bem pequena), jantar leve e dormir cedo. Eu não fui às águas termais, que dão nome à cidade, mas ouvi de outros turistas que é um programa perfeitamente dispensável, para não dizer uma roubada!

No dia seguinte, você estará de pé às 4h00 da matina para pegar o microônibus a partir das 05h30 ou subir até Machu Picchu por conta própria em um caminho que corta a estrada. Pense bem, pois pode ser cansativo para quem pretende emendar com a escalada de 2 horas à montanha Huayana Pichu.

Aliás, encarar  a subida à Huayna Pichu é um dos principais motivos de quem pernoita em Águas Calientes. Como o acesso é controlado, você precisará garantir sua senha logo cedo, optando por um destes horários: 07h00 ou 10h00. São 200 pessoas por turno somente.

Lembre-se também que esta empreitada exige preparo físico, roupa e tênis adequados, água e repelente, para dizer o mínimo.

Informações sobre os trens para Machu Picchu.

Expedition: ótimo custo-benefício para a rota Cusco-Machu Picchu. Foto: Perurail

A Perurail oferece 3 opções de trem para fazer a rota Cusco-Machu Picchu. Do mais para o menos luxuoso, são eles  Hiram Bingham, Vendome e Expedition, que custam USD 299, USD 71,00 e USD 56,00 por trecho, respectivamente. Você pode comprar pelo site da compania, em alguma agência de turismo ou na própria estação de trem, mas não esqueça de fazer isso com antecedência mínima de 48 horas.

O Expedition, que eu peguei depois de fazer a trilha inca, é destinado a mochileiros e viajantes econômicos. Achei excelente e muito confortável, sobretudo ao levar em conta que tudo que envolve Machu Picchu já é bem inflacionado. Dá uma olhada nesse vídeo, em inglês, para conferir mais detalhes do trem e da viagem:

A diferença para o Vistadome são alguns pequenos luxos como refeição regional, poltronas de couro, janelas mais amplas e até um showzinho folclórico. Já o Hiram Bingham é praticamente um pacote de luxo, incluindo refeição a bordo, entrada e visita guiada à Machu Picchu e ainda um lanche da tarde no Machu Picchu Sanctuary Lodge.

Os trens saem e chegam na Estación Poroy, cerca de 20 min de Cusco, o que dá uns 10 soles de táxi. O trajeto leva de 3h30 a 4 horas. Há ainda outras opções de rota dos trens, com paradas na estação de Ollantaytambo. Confira todos os detalhes no site da Perurail.

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