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Qual a melhor época para fazer a trilha inca ?

Qual a melhor época para fazer a trilha inca ?                                     Com exceção de fevereiro, quando a trilha fecha para manutenção, é possível fazê-la todos os meses do ano, encarando os prós e contras das variações climáticas de cada estação.

Tempo aberto e roupas leves na trilha inca em setembro.

De meados de outubro a janeiro, espere por uma combinação de temperaturas mais altas, dias de sol e chuva. A água por lá costuma ser impiedosa, especialmente no primeiro mês do ano. O rio Urubamba, que é  visto de cima da trilha, pode transbordar e danificar pontes e estradas nas proximidades de Águas Calientes.

Em geral, a recomendação é para que se faça a trilha no inverno, entre maio e agosto, pois é a estação mais seca. Por outro lado, a temperatura cai bastante em junho e julho, sobretudo à noite. Além disso, os meses de julho e agosto equivalem às férias dos gringos que vêm em peso do hemisfério norte. Portanto, prepare-se para os preços elevados e as disputas por vagas nos hotéis e trens.

Por todos esses motivos, me pareceu uma boa fazer a trilha em setembro, que antecede o período de chuvas e precede o frio e a alta estação. Peguei dias muito bonitos, sempre ensolarados, onde fiquei de camiseta na maior parte do tempo. Claro que houve alguns momentos de frio intenso, mas  nada insuportável. À noite, a menor temperatura que enfrentei no acampamento foi de 7 graus e de, dia, ainda pude avistar um pouco de neve na paisagem das montanhas. Lindo mesmo. Recomendo 🙂

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A trilha inca é segura?
Trilha inca clássica e Salkantay. Preciso reservar ou posso comprar em Cusco?
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Qual o nível de conforto na trilha inca?

Qual o nível de conforto na trilha inca?                                                  Taí uma pergunta que serve como “processo seletivo” para os candidatos a essa aventura. Que a trilha inca é roots todo mundo sabe, mas quão roots é a pergunta que muitos se fazem.

O acampamento. A experiência é que é 5 estrelas.

O lance, nu e cru, é o seguinte:

–       Os banheiros, preocupação de 10 entre 10 meninas, são encontrados apenas nos acampamentos-base onde paramos para comer ou dormir. Espere encontrar um vaso e, se tanto, uma pia. Ou seja, não tem papel higiênico, sabonete, etc. Eles não são limpos, aliás estão beeem longe disso. Também não rola banho até o final do terceiro dia. É abstrair ou sofrer. Eu abstraí 😉

–   À noite faz frio e dormir em sleeping bag tem suas limitações de espaço e conforto.

–       Os mosquitos serão muitos no último dia! E eles podem ser cruéis. Por isso, não vacile: repelente em 100% do corpo!

–    Quanto a alimentação, não vai ter aquela comida que você ama, daquela marca que você adora e com o tempero da sua avó. Abra seu paladar para a culinária andina ou deixe a mochila mais pesada levando alimentos do seu gosto.

Mas também não é nenhum Deus nos acuda. Você não tem que fazer sua própria comida, nem montar e desmontar sua barraca. Quem é fera em acampamento selvagem vai achar até fácil demais!!

A verdade é que se você puder encarar esses “poréns”, saiba que a trilha retribuirá algumas dessas ciladas com lições de companheirismo, superação de limites e auto-conhecimento. Passei por alguns apertos, mas passaria feliz tudo de novo !!!

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Como se preparar fisicamente para a trilha inca?

Como se preparar fisicamente para a trilha inca?                                   O bacana da trilha é que vi pessoas de 15 a 65 anos fazendo o percurso numa boa. Fiquei encantada com famílias e grupos de amigos aposentados curtindo a vida juntos. No entanto, o que garante o sucesso da viagem é ir devidamente preparado, para evitar surpresas desagradáveis.

Prepare-se: caminhadas, água, folha de coca e gel energético para encarar a trilha.

Por isso, seguem aqui algumas dicas do La Chica de Mochila:

– Super impotante: faça um check up médico. Fiz todos os exames cardiovasculares, como teste ergométrico, eletro e ecocardiograma, além de uma radiografia do pulmão e um hemograma. Até em dentista eu fui, pois dor de dente nas montanhas seria uma tortura.

– Peça ao seu médico indicação de remédios contra febre, dor de cabeça, indisposição estomacal, etc. Caso você tome algum medicamento específico, lembre-se de levá-lo em quantidade suficiente.

– Tome a vacina de febre amarela com antecedência de 10 dias da viagem e peça o certificado internacional, que poderá ser solicitado na sua volta ao Brasil. Vacina para hepatite e tétano também são recomendadas.

– Pesquise bem e contrate um seguro saúde de viagem que tenha uma ampla cobertura e boa reputação no mercado.

– Se você não tem o hábito de fazer exercícios, aconselho incluir caminhadas na sua rotina. Eu entrei em uma academia 4 meses antes e conversei com os instrutores sobre o melhor treino para adquirir um bom condicionamento físico nesse período.

– Para o corpo se acostumar à mudança brusca de altitude, recomendo passar pelo menos duas noites em Cusco, que fica a 3.300 metros de altitude. Escolha um hotel confortável, faça refeições e passeios leves e evite álcool. Isso ajuda a não sentir o soroche, como são chamados por lá os enjôos, tonturas e dores de cabeça decorrentes dos efeitos da altitude.

Na trilha:

– Faça uma série de alongamento no começo e final de cada dia de caminhada.

– Respeite seu ritmo. Aquela máxima de devagar e sempre é um conselho valioso.

– Não esqueça de se hidratar regularmente. Às vezes, quando está frio, nos esquecemos de beber água.

– Masque folhas de coca. O produto, que é legalizado no país, tem usos medicinais e ritualísticos enraizados na cultura peruana.  Sua eficácia é total na trilha, pois age como um repositor do fôlego. Ah, não causa nenhum tipo de alucinação ou algo do tipo 🙂

– Leve com você algumas frutas secas, castanhas, barras de cereais e gel energético. Esses alimentos servirão para te dar pique no decorrer da trilha.

Tratam-se de cuidados simples com resultados eficientes. Cuide-se e aproveite a trilha sem maiores preocupações!

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Quanto custa a trilha inca?

Quanto custa a trilha inca?                                                                           O pacote da trilha inca clássica, de 4 dias, varia bastante de acordo com a agência. 

Pé na trilha: Compare preços e pacotes antes de fechar o passeio.

Geralmente, o valor inclui: transporte de van até o quilometro 82 da ferrovia Cusco-Quillabamba (onde se inicia o percurso); equipe de apoio com guia, carregadores e infra-estrutura de camping;  refeições para todos os dias na trilha; entrada e visita guiada ao sitio arqueológico de Machu Picchu e trem de retorno a Cusco ou Ollantaytambo.

Por esse serviço  paguei na El Dorado USD 307 dólares no 1o. semestre de 2010.  Hoje, o valor atualizado está em USD330,00, sendo que estudantes com carteirinha internacional da ISIC pagam USD 305,00.

Esta cotação é, sem dúvida, uma das melhores do mercado e o meu relato pessoal com a El Dorado é dos mais positivos. Nas demais agências, o valor médio é de USD500,00, podendo até ultrapassar os USD800,00. Mas além da minha opinião, acho recomendável que se busque o maior número possível de indicações para avaliar com segurança os prós e contras de cada empresa.

De qualquer modo, desconfie de quem cobrar muito menos do que eu paguei, pois isso pode ser sinônimo de má remuneração à equipe o que, além de injusto, reflete na qualidade do serviço.

Para quem quiser contratar um carregador particular para levar a mochila e todos os seus pertences (o que eu não fiz), acrescente cerca de USD90,00.

Nos custos, inclua ainda uma gorjeta de pelo menos 30 soles por pessoa a ser dada em retribuição ao árduo trabalho da equipe durante esses 4 dias. Quem conferir de perto, sentirá que, além de ser uma gentileza, é o mínimo a ser oferecido, apesar de não ser obrigatório.

Também é útil levar pelo menos 30 soles a mais para comprar água e outros produtos de última hora que são vendidos por locais em alguns poucos pontos do caminho.

SALKANTAY

>>> Para quem fizer a trilha alternativa de Salkantay, com duração de 5 dias,  custa a partir de USD285,00, também na El Dorado. Nesse caso, é possível pagar à parte para um cavalo carregar seus pertences. Desembolsando um pouco a mais, você poderá optar por uma categoria superior de hotel na última noite, em Águas Calientes.

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A trilha inca é segura?

A trilha inca é segura?                                                                                    A resposta é sim. Após muitos anos de exploração descontrolada, o governo peruano resolveu tomar algumas medidas que tornaram a trilha inca clássica mais segura.

Direitos dos carregadores também estão dentro da nova regulamentação da trilha inca.

–  Hoje, o trajeto é realizado apenas por  agências ou guias credenciados, que podem ser conferidos no site do Ministério da Cultura peruano. Para evitar que poucas empresas dominem o percurso, cada grupo pode ter no máximo 16 turistas.

– Para manter sua conservação, foi estabelecido um limite de 500 pessoas por dia na trilha, controlado através do número do documento a ser apresentado logo no início por cada um dos viajantes. Essa medida faz com que você precise garantir sua vaga com pelo menos 3 meses de antecedência. 

– Em fevereiro, época de chuvas torrenciais, a trilha fecha para manutenção. O mesmo pode ocorrer, sem prévio aviso, caso o governo detecte riscos eminentes de âmbito ecológico ou mesmo político.

Entre 19h30 e 05h30 da manhã é proibido circular na trilha. Isso evita que grupos mais aventureiros acabem se perdendo e passando apuros.

– As agências são obrigadas a levar uma maleta de primeiros socorros e também um rádio a ser usado para fazer contato com as bases em casos de emergência.

–  Caso você se machuque até a metade do caminho, a orientação geral é para que o grupo inteiro retorne ao começo da trilha, onde há transporte para Cusco. A partir do segundo dia, a equipe de apoio da agência te dará o atendimento básico emergencial e te levará no colo ou em uma maca até o povoado mais próximo de Águas Calientes.

– Armas e drogas estão expressamente proibidas na trilha inca.

– No meio do trajeto, existem alguns postos de controle. Eles servem não só para checar o bom andamento dos grupos, mas também para pesar as mochilas dos carregadores, que podem ter no máximo 25 kilos. No passado, estes trabalhadores eram explorados, chegando a transportar  50 kilos nas costas.

– Também é importante pedir indicações a quem já foi e pesquisar a reputação das empresas na internet. Eu fechei com a El Dorado, que é brasileira e tem um escritório parceiro em Cusco, chamado Kintu Expedition. Lá, fui muito bem atendida e pude tirar todas as minhas dúvidas.

De qualquer modo, é importante ter em mente que trata-se de uma verdadeira aventura, que naturalmente implica em correr riscos. Você estará sempre enfrentando grandes altitudes, longe de posto médico e com meios de comunicação limitados. Por isso, cerque-se de todos os cuidados que possam garantir o êxito dessa experiência.
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>>> Em breve, publicarei um post especial com dicas de como se preparar fisicamente para a trilha inca. Continue acompanhando o blog 🙂  UPDATE: Tá aqui o post!

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Trilha inca clássica e Salkantay. Preciso reservar ou posso comprar em Cusco?

Trilha inca clássica e Salkantay. É preciso reservar ou posso comprar em Cusco?                                                                                                    Essa questão é primordial, uma vez que a trilha inca clássica que eu fiz, de 4 dias, é muito concorrida e deve ser reservada, via agência de turismo credenciada, com antecedência mínima de 3 meses. Cheque datas disponíveis, clicando no menu “consultas”, aqui.

Trilha inca clássica e Salkantay. Diferenças no percurso e no tempo de reserva para fazer o trajeto. (Foto Salkantay: http://www.trilhainca.com.br)

Contudo, existem trilhas alternativas. Dentre estas, Salkantay é a mais conhecida. Cada dia mais famosa, é recomendável reservá-la pelo menos com 1 mês de antecedência. Pode ser que você consiga se encaixar em um grupo diretamente em Cusco, mas talvez não nas melhores agências e nem na data desejada.

A trilha dura tradicionalmente 5 dias. Nesse percurso, é possível optar por dormir em acampamentos ou pousadas, os chamados lodges, de acordo com o pacote oferecido por cada agência.  A última noite costuma ser em um hotel em Águas Calientes.

As mochilas podem ser carregadas por mulas ou cavalos, o que não ocorre na trilha clássica, onde apenas humanos conseguem transpor as escadas incas.

Conversei com trilheiros que fizeram Salkantay e a maioria deu ótimas referências no quesito variedade e beleza das paisagens, que vão de montanhas nevadas à florestas tropicais. Por outro lado, é necessário excelente preparo físico para completar uma jornada longa, com altitudes que chegam a superar os 4.600 metros. Em junho e julho, as temperaturas caem drasticamente, exigindo equipamentos adequados.

>>> Há ainda uma trilha inca mais curta, de 2 dias, que não precisa de reserva antecipada. É ideal para quem quer experienciar parte da trilha original, incluindo as ruínas de Wiñay Wayna e Intipunku, o portal do sol. Boa opção também para quem tem pouco tempo ou não está muito em forma, pois além do trajeto ser mais curto, as altitudes enfrentadas são bem mais baixas.

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Viagem à Machu Picchu: Por que eu fiz a trilha inca.

Viagem à Machu Picchu: Por que eu fiz a trilha inca.                            Eu já havia ouvido falar muito da trilha inca e achava simplesmente que não era para mim. Aos 25 anos, nunca tinha acampado propriamente, tinha certa aflição de passar 4 dias sem tomar banho e duvidada da minha capacidade de andar não sei quantos quilômetros sob sol, chuva ou frio intensos. 

Trilha inca – E não é que era pra mim?

Por outro lado, não estava muito feliz dormindo no meu quarto em São Paulo, com um edredom ótimo e usando carro para me locomover sem cansar os pés.  É… quando nossa zona de conforto fica grande também é sinal de que nosso mundo está ficando pequeno.

Nessas horas, com o perdão dos possíveis clichês, não há remédio melhor do que se propor a viver. São aqueles momentos em que a gente só leva o essencial na mala e na cabeça e se dá um passe livre para experimentar o mundo que existe além da nossa rotina. E foi assim que me apaixonei pela idéia de viajar sozinha por 9 semanas pela América do Sul, coroando esse momento com a trilha inca clássica.

Catedral de Cusco

Após meses de pesquisa e preparação, lá estava eu pedindo saúde e proteção na belíssima Catedral de Cusco, que fica na Praça de Armas da cidade. Não sou católica, mas rezei com fé e a minha maneira.

Já na manhã seguinte, às 06h15, fui a primeira a entrar na van da Kintu Expeditions. Quando os outros integrantes do grupo foram chegando, não demorei a perceber que, para minha sorte, boa parte da experiência seria composta pelo relacionamento com aquelas pessoas.

Emma, Matt, Fabiana, Glauber, eu e Kazu. Companhia querida na trilha inca.

E assim foi. Com Glauber e Fabiana, de Brasília, aprendi a admirar a cumplicidade de um casal. Percebi que fazer a trilha era mais um dos vários  objetivos em comum que os uniam felizes há 15 anos. Além disso, assim como eu, eles tinham o ritmo “devagar e sempre”, o que nos permitiu compartilhar conversas longas das mais distintas, de orquídeas à planos para viagens futuras.

Com Matt e Emma, um casal jovem de australianos, tive uma lição de simpatia, parceria e, sobretudo, confiança. Ela havia pedido demissão para repensar a vida. Ele havia reprogramado as finanças para viabilizar o sonho da noiva, que viajaria sozinha por 5 meses pela América do Sul. Há 2 meses, recebi com alegria o convite de casamento deles!

E ainda havia Kazu, japonês, de Osaka, que surpreendeu a todos com seu pique e disposição para interagir apesar das barreiras lingüísticas e culturais. Ele havia chegado em Cusco após um vôo longo e cansativo, com a mala extraviada, sem dormir e com o fuso totalmente trocado. Ainda assim, no mesmo dia, emendou corajosamente o percurso. Sem falar na disciplina e prontidão extremas!

Quanto a equipe, Hernán, nosso guia, respondia com ânimo às milhares de perguntas que fazíamos. Também não há como esquecer da gentileza dos carregadores que, além de fazerem um trabalho muito duro, nos acordavam todas as manhãs com uma caneca de chá de coca fumegante para aplacar o frio. E ainda havia o cozinheiro que preparava uma comida energética e saborosa, apesar das circunstâncias adversas.

Carregadores na trilha rumo ao pico da montanha Warmiwañusca. Superação aos 4.200 metros de altitude.

Há ainda muitas outras pessoas, com as quais cruzei por alguns instantes, mas que através de um sorriso ou de uma palavra de incentivo me transformaram positivamente. Guardo na lembrança o momento em que, no segundo dia, enfrentei quase 9km de subida ininterrupta para atingir o pico da montanha Warmiwañusca, a 4.200 metros de altitude. Depois de horas de caminhada, avistei algumas dezenas de pessoas que estavam lá em cima, no ponto mais alto, esperando para aplaudir e parabenizar aqueles que, ofegantes e quase sem ânimo, completavam o trajeto.

São momentos pequenos compartilhados com muitas pessoas que nunca mais verei, mas por isso mesmo tão especiais. Por essas razões, e por muito mais, incentivo todos a participarem dessa experiência.

Vasculhe essa série de posts que eu preparei para o La Chica de Mochila. Se inspire, vá e depois me conte suas impressões!

>>> Como ir: Para chegar a Machu Picchu, você precisa pegar um vôo com destino a Lima. São 5 horas partindo de São Paulo e algumas das companias que te levam são LAN, TAM e TACA. A partir de Lima, você fará uma escala ou conexão e seguirá por mais 1h15 rumo a Cusco. De ônibus, o trajeto Lima-Cusco pode ser feito pela Cruz Del Sur, mas leva 21 horas! De Cusco, os viajantes seguem para Machu Picchu de trem ou por meio de alguma das trilhas.

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Machu Picchu: Conheça um dos destinos mais lindos e intrigantes do mundo.

Tudo sobre Machu Picchu!                                                                          Eis que um dia, em uma conversa casual, da onde saem as melhores idéias, uma amiga me tira por completo a vontade de fazer um terceiro mochilão às principais capitais da Europa. Seu argumento era simples e direto: Por que conhecer um lugar que há décadas permanece relativamente igual, sendo que existem tantos outros a ponto de sumirem do mapa ou mudarem completamente?

O que ela queria dizer, a grosso modo, era que Paris sempre estaria ali com suas pontes, luzes e igrejas lindas, enquanto alguns povoados preciosos do Peru mudavam social, política e economicamente tão rápido que corremos o risco de nos depararmos com um cenário tão globalizado quanto vazio de origens dentro de poucos anos.

Além do mais, eu sabia como escrever Eiffel, Notre Dame e Buckingham, mas naquele momento não tinha idéia da grafia correta de Machu Picchu (Matchu Pitchu, Macchu Pichu, Machu Pichu???). Chega, eu precisava  de um banho de latinidade já!

Movida por essa certeza, fui ficando cada vez mais fascinada com a cultura dos nossos vizinhos sul-americanos e, em especial, com Machu Picchu. Afinal, o lugar é:

–       Símbolo do império inca que, junto aos maias e astecas, é uma das maiores e mais importantes civilizações da América pré-colombiana.

–      Um fascinante centro religioso, político e administrativo que ficou mais de 5 séculos coberto pela vegetação até ser descoberto, em 1911, pelo pesquisador americano Hiram Bingham.

–       Exemplo da arquitetura e engenharia brilhantes dos incas. As construções, tanto agrícolas quanto religiosas, eram baseadas no encaixe milimetricamente perfeito das pedras.

–       Patrimônio cultural e natural da humanidade, segundo a UNESCO.

–       Uma das sete maravilhas do mundo moderno.

Com essas 5 pistas, logo vi que era preciso não só ir à Machu Picchu, mas também percorrer a trilha inca e descobrir mais sobre a mística que envolvia o lugar! Assim, iniciei uma das jornadas mais surpreendentes da minha vida, que conto mais detalhadamente nos posts que publicarei ao longo da semana. Serão dois novos posts por dia. Acompanhe:

Viagem à Machu Picchu: Por que eu fiz a trilha inca. 
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La Chica de Mochila ensina como ir de trem à Machu Picchu
 Onde comprar entrada para Machu Picchu, validade e preço do ticket. 
Águas Calientes: onde ficar e comer na cidade base para quem vai a Machu Picchu. 
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Peru: Arequipa ou Trujillo?

Sempre acreditei que um ótimo jeito de (re)começar seria respondendo a perguntas  sobre viagens. Tanto as que me fazem quanto as que eu mesma me faço (e são inúmeras, todo dia!) ou ainda as que eu pesco em sites e blogs, como foi o caso, hoje, do sempre útil Perguntódromo do Viaje na Viagem,  site que eu adoro do Riq Freire.

A questão levantada pela Lu Malheiros, do blog Dividindo a Bagagem, veio bem a calhar para a retomada dos posts. Vamos nessa!

Peru: Arequipa ou Trujillo? Que cidade é mais indicada para complementar uma viagem a Lima, totalizando uma semana?

“Lu, estive nas duas cidades em setembro passado. Segue um apanhado geral. Está longo, mas acredito que possa ser útil 🙂

Primeiro vamos às distâncias: De avião, os dois destinos ficam a cerca de 1h15 de Lima.  Já de ônibus, são – em média – 8 horas até Trujillo e 14 para Arequipa. Nesse caso, optaria pelas viagens noturnas, que não chegam a ser um problema uma vez que é possível encontrar boas cias de ônibus, como a Cruz del Sur, com assentos reclináveis e até bem confortáveis.

Quanto aos destinos, as duas cidades oferecem programas bem diferentes. Trujillo é a terceira maior cidade do país. A região foi habitada por duas civilizações fundamentais no antigo Peru: a Moche e a Chimu. Prepara-se para uma verdadeira imersão de história e cultura ao visitar centros arqueológicos impressionantes.

Por lá, é obrigatório fazer uma visita guiada a Chan Chan, capital do reino Chimú e a maior cidade de barro da América pré-hispânica. As huacas (pirâmides sem ponta) Arco- Iris, construída pelos Chimús, e a del Sol y de la Luna, de origem Moche, também valem demais a visita.

Além disso, o centro histórico de Trujillo é bem charmoso e preservado. Existem algumas belas mansões restauradas, abertas à visitação, que datam dos princípios da República.

Complementaria ainda o passeio com um pulo na praia de Huanchaco, que fica a 15 minutos do centro. A praia não tem uma beleza tropical ou estonteante, mas fica mil vezes mais bonita com o pôr-do-sol lá pelas 5 da tarde. Vá para a orla e observe as canoas de totora, espécie de capim seco extremamente resistente, utilizadas ainda hoje pelos pescadores locais. No fim do dia, coma um autêntico ceviche. Delicioso! No Peru, todos sabem que este prato só é encontrado na sua melhor forma bem ao norte e no litoral. Sem falar no preço, que é uma pechincha!

Sobre Arequipa, com o tempo que você tem, é necessário fazer uma escolha logo de cara. Priorizar o tour mais conhecido por lá, o Cañon del Colca, em detrimento de explorar a cidade em si, ou se dedicar a cidade, que é bem charmosa, mas pular o passeio do Colca. Essa escolha consciente evita a frustração de achar que é possível cumprir as duas tarefas com a mesma dedicação.

Na primeira alternativa, escolha o passeio de dois dias ao Colca, pernoitando uma noite em Chivay. Fazer tudo no mesmo dia é insano e extremamente cansativo. Na agência, quando estiver fechando o tour, escolha um hotel BEM BACANA (nunca será uma fortuna), afastado do centro, que te proporcione um bom visual da região do Colca.

No caminho de ida, você verá vulcões e centenas de llamas, e provará o chá de coca, pois os efeitos da altitude não tardam a serem percebidos.

Chegando em Chivay, durante a tarde, normalmente é oferecido um banho termal por cerca de 10 soles. O visual do lugar, a céu aberto, é bonito, mas o banho em si… bem… digamos… farofento rs…. Então veja se ficar no hotel (por isso indico que escolha um bom) não é mais jogo 😉  À noite, espere por um jantar turistão-temático com shows de música e dança da região. Sente o clima 😉

No dia seguinte, bem cedo, é hora de embarcar rumo ao Mirador de la Cruz del Cóndor, com algumas paradas lindas para tirar fotos e “interagir com a cultura local”. Eu, pessoalmente, tenho ressalvas a tratar locais como atração turística, pagar para tirar foto com uma criança e um filhote de  llama e ir embora 5 segundos depois… mas a maioria das pessoas adora e acha divertido. Bom, chegando ao Mirador, garanta um lugar privilegiado e cruze os dedos. Ver os condores é também uma questão de sorte, embora entre maio e setembro seja quase garantido. Se eles aparecerem, o espetáculo é certeiro. Como não temos a oportunidade de vê-los em terras brasileiras, é mais um motivo para justificar este passeio.

Na volta, a maioria dos tours para em pueblitos graciosos, onde é possível visitar algumas igrejas e ver artesanatos do Colca. O passeio termina, em Arequipa, cerca de 7 da noite. Para não perder tempo, deixe pré-agendado uma reserva em um dos restaurantes incríveis da cidade. Eu recomendo fortemente o Chicha, do chef Gastón Acurio, que fica quase em frente ao Monastério de Catalina.

No dia seguinte, antes de voltar a Lima (marque esta passagem apenas para o fim do dia), explore a cidade desde cedo, afinal trata-se de um Patrimônio Cultural da Humanidade, segundo a UNESCO, e as principais atrações estão bem próximas umas das outras.

Entre os pontos altos, estão a Catedral, bem no centro da Plaza de Armas, A igreja de La Compañia, o Museu Santuários Andinos, que expõe artefatos e objetos incas, incluindo o corpo congelado de Juanita, e o imperdível Monastério de Santa Catalina, fundado em 1580, que vale a visita no fim de tarde, onde a luz natural deixa o ocre e laranja desta cidade em miniatura ainda mais bonitos.

Bom, no final das contas, mais do que indicar um dos dois lugares, preferi te dar um panorama de cada uma das cidades, tão belas quanto diferentes entre si. Espero que minha contribuição possa te aproximar mais da sua intuição e do seu objetivo ao fazer essa viagem. Bom passeio e desejo que volte cheia de boas recordações e dicas para compartilhar conosco!”.