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Puno e as imperdíveis ilhas flutuantes do Lago Titicaca

Puno e as imperdíveis ilhas flutuantes do Lago Titicaca

Ilhas flutuantes de Uros

Nessa semana, postei um texto sobre Copacabana, Ilha do Sol e a parte boliviana do lago Titicaca. Quem leu, sabe o quanto gostei da tonalidade vibrante das suas águas, além das belas trilhas e ruínas incas.

Hoje, sigo escrevendo sobre o maior lago navegável do mundo. Porém, dessa vez é o lado peruano do Titicaca que está em pauta. Para acessá-lo, o viajante precisa ir à Puno, localizada a 3h30 de ônibus de Copacabana, 5h de La Paz, 7h de Cusco ou 5h de Arequipa, para citar algumas das cidades mais próximas.

Chegando lá,  existem dezenas de agências, especialmente na Rua Jr. Lima, que oferecem o passeio às ilhas Uros (1/2 dia), Uros-Taquile (1 dia) ou Uros-Amantani-Taquile (2 dias). Eu fechei Uros-Taquile por 35 soles com um representante  da Lago Tours, que oportunamente estava dentro do ônibus que peguei em Copacabana.

Sobre Puno

Catedral de Puno

Com o tour comprado, dei uma rápida volta no centro, passando pela Catedral e pelo mercado, que sempre gosto de visitar para ver de perto os alimentos e hábitos locais. Existem outros lugares recomendados que não tive tempo de ir, como a casa colonial Del Corregidor, que depois de restaurada virou centro cultural; o Museu Carlos Dreyer, que tem uma exposição de objetos de ouro, cerâmica e artesanatos precolombinos; e o Museu da Coca e dos Costumes, com uma vasta explicação sobre o uso ancestral da folha de coca na cultura andina.

Muitos dizem que a cidade é perigosa. Pessoalmente, circulei com tranqüilidade, tomando os mesmos cuidados de sempre. Além disso, com o serviço de cooperativas de taxi entre 1 e 3 soles não há porque ficar circulando a pé à noite, correndo o risco de se perder.

Ilhas flutuantes de Uros

Solo e casas de totora na Ilha de Uros

O passeio começa cedo e às 08h00 meu barco saiu do porto de Puno. As primeiras ilhas flutuantes não demoraram a aparecer. De cara, fiquei impressionada com a vastidão do arquipélago.

Quando desembarcamos, logo constatei o respeito e fascínio que tenho por culturas ainda tão preservadas na sua essência. Custei a crer que tantas famílias viviam há séculos naquelas ilhas sem nunca terem migrado para Puno.

Simpático morador explica como as ilhas seguem flutuando no lago Titicaca há séculos.

Rapidamente meu grupo foi recepcionado por um morador, que esclareceu que no próspero Titicaca não faltava caça nem pesca e que o turismo mantinha a economia da região. Ressaltou ainda que em Puno muitos deles fatalmente acabariam vivendo à margem daquela sociedade moderna, trabalhando em sub-empregos com baixíssima remuneração. Ele também nos explicou que as ilhas se mantém flutuantes a partir do constante entrelaçamento da totora, tipo de capim ultra resistente e multi funcional.

Bordados e artesanatos de totora

Após essa conversa, fomos convidados a conhecer por dentro as casas feitas da onipresente totora (que serve até como alimento!). Algumas mulheres aproveitaram para mostrar seus bordados e outros artesanatos. Em seguida, fomos presenteados com colares de boas-vindas e alguns turistas aproveitaram para navegar pelo lago nas canoas de (adivinha?) totora.

Moradores multicoloridos cantam e fazem festa em Uros.

Para fechar a visita, o guia propôs que cada visitante mostrasse aos nativos uma música do seu país. Gosto de interagir, mas cantar (mal) em público sempre foi um bloqueio. Nesse momento, deu-se um sem gracismo generalizado. Foi aí que, inexplicavelmente, cantarolei “Viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz…” e fui presenteada com um sorriso enorme dos moradores. Percebi, naquele momento, o valor de se comunicar da forma mais honesta possível através de um gesto tão simples e transformador quanto a música, seja ela bem ou mal cantada.

Ilhas Taquile

Mais do que feliz pela experiência em Uros, segui junto ao grupo rumo à Taquile, uma ilha que não é flutuante, mas sem dúvida merece ser visitada. Essa viagem é um pouco mais longa e, até pela distância, o local tem raízes e costumes ainda mais preservados.

Artesão e mulheres dançando nas Ilhas de Taquile

Assim que desembarcamos, encaramos uma subida pela ilha enquanto admirávamos ovelhas pastando nos seus terraços verdes. Quando chegamos no alto, nos unimos a um grupo de artesãos locais, composto majoritariamente por homens. São eles, aliás, os responsáveis pela tecelagem de algumas das peças mais lindas e raras da cultura indígena peruana.

As mulheres do grupo, cobertas por um lenço negro, também se aproximaram e mostraram um manto de cabelos feito de crochê no período do noivado, como símbolo de estima e proteção ao futuro marido.

Vista do lago Titicaca nas Ilhas Taquile

A vista de cima daquela colina era para o imenso Titicaca. Foi nesse cenário que assistimos a um show de dança e musica típica de Taquile. Fui convidada para dançar no meio dos moradores da ilha e, depois de cantar em Uros, me vi novamente aceitando um convite inesperado sem pestanejar.

O almoço, super agradável, teve sopa de quinua de entrada e truta fresquinha acompanhada de arroz e batatas como prato principal. Seguimos o passeio contornando a ilha  a pé e observando a rotina dos seus habitantes. As crianças saindo da escola, os agricultores arando a terra, cenas de um dia comum em Taquile.

O tour terminou com uma visita às ruínas de origem inca e tiwanaku (civilização anterior a inca). Do topo da ilha, avistava-se uma escada de pedras com mais de 500 degraus. O sol ainda alto iluminava o Titicaca. Desci lentamente o percurso para aproveitar cada instante de um dos passeios mais bacanas e emocionantes que fiz durante a viagem.

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Igrejas, museus, San Blas – Monte seu roteiro para desvendar a cidade de Cusco.

Igrejas, museus, San Blas – Monte seu roteiro para desvendar a cidade de Cusco.

O centro de Cusco é uma aula de história ao ar livre. É daqueles lugares que, quando você menos espera, pode topar com uma pedra que na realidade foi uma elaboradíssima construção inca com mais de 500 anos.

Entre as características mais marcantes da cidade está a sobreposição da cultura católica espanhola aos costumes indígenas. Abalados por uma guerra civil, os nativos ofereceram pouca resistência quando os conquistadores alcançaram a capital do império inca em 1532, trazendo armas, cavalos e doenças devastadoras.

Contudo, os incas era tão brilhantes em sua arquitetura, engenharia e habilidades manuais, que muito da sua cultura permaneceu após a colonização. Um exemplo é a construção das igrejas, que usou como base a resistente estrutura de pedra dos templos incas.

 A escola de pintura cusqueña, que se desenvolveu nos séculos XVI e XVII, também reflete o encontro do talento dos índios e mestiços com os ensinamentos  e a técnica dos artistas jesuítas vindos da Europa, muitos deles da Itália.

Para desvendar a cidade de Cusco, separe ao menos um dia para caminhar com calma pelas suas ruas. Aqui, alguns dos lugares do centro histórico que adorei conhecer e recomendo aos viajantes:

Catedral: Símbolo da Plaza de Armas, a maior e mais bonita igreja de Cusco começou a ser construída no século XVI com pedras retiradas de importantes construções incas da região. Seu interior impressiona com altares de ouro, estátuas, pinturas e murais que trazem claras influências indígenas, como é o caso do Puma esculpido na sua porta principal.  As visitas, que são pagas (s/20), podem ser feitas das 10h00 às 18h00, diariamente. Mais cedo, a igreja abre apenas para os freqüentadores das missas.

 Q’Orikancha: O belo templo foi construído no reinado do inca Pachacutec em homenagem ao sol. Por tratar-se de um símbolo divino, a construção era refinada, suntuosa e repleta de objetos de ouro. Hoje, após sucessivos saques, sobraram as estruturas de pedra resistentes aos terremotos que foram usadas pelos espanhóis na construção da Igreja de Santo Domingo. Vale um tour guiado disponível de segunda a sábado das 08h30 às 17h30. A entrada custa s/10 e a visita ao museu do local está incluída no boleto turístico, sobre o qual escrevi neste post.

Igreja La Compañia e Igreja La Merced – Para quem quiser apreciar arte Cusqueña, vale visitar a primeira igreja que fica na Plaza de Armas e costuma ser ofuscada pela Catedral. Ali é possível ver um  mural representando a união de um conquistador espanhol com uma princesa inca. Já La Merced fica mais ao sul e guarda uma preciosidades: um recipiente de hóstias de ouro maciço incrustado com pedras preciosas.

Museu de Arte Precolombino: Dentre todos os museus da cidade (Museu Inka, Museu Hilário Mendívil, Museu de Arte Contemporânea, Museu de Arte Religiosa, etc), destaco este como meu preferido. Além de bem conservado, com ótimas explicações sobre as obras expostas, o museu conta com uma vasta coleção de cerâmicas, jóias e esculturas precolombinas, abrangendo não apenas a cultura inca, mas também a Nasca, Mochica, Huari e Chimu. Funciona diariamente das 09h00 às 22h00 e o ingresso custa s/20.

San Blas: O bairro fica ao norte da Plaza de Armas e é uma dos locais mais charmosos de Cusco por reunir uma série de artistas, ateliers e bares que atraem os turistas boêmios. Na praça de San Blas há uma feira de artesanato sempre movimentada e divertida. Lá, também pode-se visitar uma pequena, porém interessante, igreja de adobe.

Dica: Na Praça de San Blas está um dos melhores restaurantes da cidade,o Pacha Papa. Ideal para quem quer provar um dos pratos típicos do Peru, como o Cuy ao forno (espécie de porco da índia),  a carne de alpaca ou o lomo saltado.

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Três passeios nos arredores de Cusco que você precisa fazer.

Três passeios nos arredores de Cusco que você precisa fazer.

Cusco é um destino super disputado na América do Sul. Afinal, é ponto de partida para Machu Picchu, um dos complexos arqueológicos mais importantes do mundo! No entanto, o entorno da cidade reserva outras boas surpresas que merecem alguns dias da sua viagem. Saiba quais são e como conhecê-las.

Boleto Turístico de Cusco

 O boleto turístico

Chegando em Cusco, uma das primeiras providências a serem tomadas é comprar este boleto que será seu passaporte para 16 atrações localizadas na cidade e nos arredores.

O lugar mais prático para adquiri-lo é a Oficina Executiva do Comitê do Boleto Turístico, que fica na Av. El Sol, no. 103, a 5 minutos de caminhada da Plaza de Armas.

O valor, um tanto salgado, de 130 soles é a melhor opção para o viajante, já que os lugares contemplados pelo boleto não vendem entradas avulsas. Para estudantes com carteirinha da ISIC, o preço cai para s/70.

Obs: Embora o boleto seja imprescindível no acesso a alguns dos principais locais de interesse, incluindo partes dos 3 tours descritos abaixo, vale ressaltar que pontos como a Catedral (s/25), Q’oricancha (s/10), o Museu de Arte Precolombino (s/20) e o Museu Inka (s/10) cobram entradas à parte.

Veja aqui, em detalhes, quais lugares fazem parte do boleto.

 1) City tour 

Qorikancha, Tambomachay e Sacsayhuamán

É um passeio que dura meio dia e geralmente é feito na parte da tarde, a partir das 14h00. Nele, você conhecerá boa parte da história da fundação da cidade imperial de Cusco, visitando as ruínas de Q’oricancha, bem no centro da cidade, e Sacsayhuamán, Q’enqo, Pucapuara e Tambomachay, estas a um raio de até 11km da Plaza de Armas.

Destaque para Sacsayhuamán, que representa a cabeça de Cusco, já que a cidade foi planejada para ter o formato de um Puma, animal sagrado para os incas. Estima-se que mais de 20 mil pessoas tenham trabalhado na construção deste importante complexo militar do século XV. Hoje, além das ruínas, é possível aproveitar a linda vista panorâmica  que o local oferece.

2) Vale Sagrado

Mercado de Pisac, Ollantaytambo e comunidade têxtil em Chinchero.

É um dos passeios mais bacanas, na minha opinião, por combinar visitas históricas às ruínas com o contato com os moradores das cidades do Vale. Muitos deles, aliás, ainda falam quéchua, a língua nativa dos índios da região.

Por unir passado e presente, o tour é uma verdadeira aula de sociologia in loco. Sendo assim, capriche na escolha da agência para pegar um guia bem legal!

O passeio, que dura um dia inteiro, começa rumo à Pisac. Aqui, há um tradicional mercado de rua às terças, quintas e domingos que rende boas compras em artesanatos, roupas de alpaca, acessórios de prata, além de farta exposição de frutas, verduras e legumes típicos.

Em seguida, há um almoço em Urubamba, para degustar a culinária cusqueña, acompanhada por um pisco sour ou uma chicha morada e um show de música peruana.

De Urubamba, o tour percorre mais 19km até Ollantaytambo, onde está uma das zonas arqueológicas mais interessantes do Vale Sagrado. Você verá de perto um conjunto de construções incas com finalidades agrícolas, religiosas, militares e administrativas.

O dia termina com um passeio por Chinchero e suas casas de adobe, passando por uma igreja colonial que data do século XVII e uma comunidade de artesãos que mostram o processo natural de tingimento das lãs com as quais são feitos artesanatos e roupas.

3) Moray & Maras

Terraços agrícolas e artesanato em Moray e salineiras de Maras.

Menos popular do que os dois outros passeios, o tour pode ser feito na parte da manhã. Particularmente, foi uma grata surpresa na minha viagem!

Em Moray, a 48 km de Cusco, pode-se ver de perto um verdadeiro laboratório agrícola dos incas. Trata-se de uma estrutura circular gigante composta por diversos terraços que possuem microclimas diferentes. Isso possibilitou o crescimento de uma farta diversidade de grãos, que foram a base da alimentação inca e são, até hoje, a raiz da culinária local, como é o caso do maiz (milho).

Na sequência, você será surpreendido pela impressionantes vista das salineiras de Maras, que parecem uma pintura em tons de marrom, bege e branco nas montanhas. São uma série de tanques irrigados pelo rio que, quando secam, formam blocos de sal que são extraídos e vendidos pelos moradores locais.

PS: Os roteiros mencionados aqui podem sofrer alterações de acordo com o itinerário da cada agência.

Agências

A inegável vocação turística de Cusco  vem acompanhada por milhares de agências e representantes que seguramente te abordarão nas ruas oferecendo passeios. Além da sempre recomendável pesquisa de preços, cheque os detalhes do pacote  e busque referências sobre as empresas.

Andina Travel, Explorandes e Inka Terra são algumas das mais reconhecidas. Porém, prepara-se para preços voltados para gringos do hemisfério norte. Para tarifas mais amistosas e serviço igualmente confiável (mas sem tantos luxos), recomendo a Reserv Cusco. (ver observação da leitora Ana Maria na caixa de comentários).

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La Chica de Mochila ensina como ir de trem a Machu Picchu.

La Chica de Mochila ensina como ir de trem à Machu Picchu.  Existem dois perfis comuns de roteiro para quem vai à Machu Picchu de trem: fazer tudo em um dia só ou pernoitar em Águas Calientes.

Apesar de ser uma grande entusiasta da trilha inca, reconheço que estas opções podem ser as melhores para quem está fora de forma, tem problemas de saúde, pouco tempo de viagem  ou mesmo não é muito fã de trekking.

Trem: opção para quem quer conhecer Machu Picchu sem fazer a trilha inca. Foto: Perurail

Machu Picchu em em um dia só

O trem sai de Cusco rumo a Águas Calientes entre 06h00 e 07h00 e chega em torno das 10h00 na cidade. O retorno costuma ser por volta das 16h00, dependendo do trem escolhido.

Machu Picchu sempre vale a pena, mas é importante saber que não dará tempo de pegar senha para escalar Huayna Pichu, montanha que dá uma vista panorâmica do complexo arqueológico. Além disso, você fará a visita no horário de pico dos demais turistas. Na alta temporada (julho e agosto), prepare-se para conviver com um certo “auê” que reduz consideravelmente a paz do lugar.

Chegando na cidade-base para subir até Machu Picchu, você deverá pegar um micrôonibus que custa USD 7,00 cada trecho.

Atenção: não esqueça de comprar a entrada para Machu Picchu direto em Cusco. Isso te economizará um tempo precioso em Águas Calientes.

Machu Picchu com pernoite em Águas Calientes (RECOMENDADO)

Nesse caso, você chega com calma em Águas Caliente, com tempo para dar uma voltinha na cidade (que é bem pequena), jantar leve e dormir cedo. Eu não fui às águas termais, que dão nome à cidade, mas ouvi de outros turistas que é um programa perfeitamente dispensável, para não dizer uma roubada!

No dia seguinte, você estará de pé às 4h00 da matina para pegar o microônibus a partir das 05h30 ou subir até Machu Picchu por conta própria em um caminho que corta a estrada. Pense bem, pois pode ser cansativo para quem pretende emendar com a escalada de 2 horas à montanha Huayana Pichu.

Aliás, encarar  a subida à Huayna Pichu é um dos principais motivos de quem pernoita em Águas Calientes. Como o acesso é controlado, você precisará garantir sua senha logo cedo, optando por um destes horários: 07h00 ou 10h00. São 200 pessoas por turno somente.

Lembre-se também que esta empreitada exige preparo físico, roupa e tênis adequados, água e repelente, para dizer o mínimo.

Informações sobre os trens para Machu Picchu.

Expedition: ótimo custo-benefício para a rota Cusco-Machu Picchu. Foto: Perurail

A Perurail oferece 3 opções de trem para fazer a rota Cusco-Machu Picchu. Do mais para o menos luxuoso, são eles  Hiram Bingham, Vendome e Expedition, que custam USD 299, USD 71,00 e USD 56,00 por trecho, respectivamente. Você pode comprar pelo site da compania, em alguma agência de turismo ou na própria estação de trem, mas não esqueça de fazer isso com antecedência mínima de 48 horas.

O Expedition, que eu peguei depois de fazer a trilha inca, é destinado a mochileiros e viajantes econômicos. Achei excelente e muito confortável, sobretudo ao levar em conta que tudo que envolve Machu Picchu já é bem inflacionado. Dá uma olhada nesse vídeo, em inglês, para conferir mais detalhes do trem e da viagem:

A diferença para o Vistadome são alguns pequenos luxos como refeição regional, poltronas de couro, janelas mais amplas e até um showzinho folclórico. Já o Hiram Bingham é praticamente um pacote de luxo, incluindo refeição a bordo, entrada e visita guiada à Machu Picchu e ainda um lanche da tarde no Machu Picchu Sanctuary Lodge.

Os trens saem e chegam na Estación Poroy, cerca de 20 min de Cusco, o que dá uns 10 soles de táxi. O trajeto leva de 3h30 a 4 horas. Há ainda outras opções de rota dos trens, com paradas na estação de Ollantaytambo. Confira todos os detalhes no site da Perurail.

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Como é a alimentação na trilha inca?

 Como é a alimentação na trilha inca?                                               Dentre todas as boas surpresas (e felizmente foram muitas!) que tive na trilha inca, preciso ressaltar a alimentação. Claro que esse tópico está diretamente vinculado à agência contratada, mas tive uma experiência tão positiva que vale a pena compartilhar.

A tenda em que comíamos e compartilhávamos experiências durante a trilha.

Quando fechei o pacote  aqui no Brasil, arrisquei mencionar que não comia carne. Repeti essa informação no escritório de Cusco e ainda mais uma vez para o Hernán, nosso guia. Falava assim só por falar, mas já preparada para  ficar caçando e separando pedacinhos de carne no macarrão, comer barrinhas de cereal em todas as refeições e coisas do gênero.

Com a expectativa lá embaixo, enchi a mochila de petiscos, pois não esperava mesmo qualquer tipo de regalia. Mas não é que fui surpreendida logo de cara? Já no primeiro almoço, nosso cozinheiro havia preparado uma deliciosa sopa de quinua de entrada, além de diversos legumes cozidos, omelete, arroz e batatas de todos os tipos e cores.

Dentro das condições dificílimas para transportar a comida nas escadas íngremes de pedra dos incas, jamais esperava tamanha variedade e atenção, com versões vegetarianas de todos os pratos feitas especialmente para mim.

E havia mais boas notícias. De sobremesa, comíamos quitutes gostosos, como panquecas de doce de leite. Também ganhávamos kits com frutas e chocolates para irmos beliscando durante a trilha. E quando chegávamos no acampamento, antes do jantar, tinha lanche com bolachas variadas, pasteizinhos com açúcar e canela e até pipoca.

Na trilha inca, as refeições não eram apenas para matar a fome. Nesses momentos,  o grupo compartilhava impressões da trilha e da vida, em geral, sempre acompanhadas por um chá de coca ou outra erva nativa.

Dentre todos os pratos que provei,  confiro à sopa de quinua uma atenção especial. Muito presente na culinária andina, esse ingrediente é altamente energético, nutritivo e leve ao mesmo tempo. Acredito, de verdade, que fez toda a diferença para dar mais resistência e saúde ao grupo.

Quinua, um dos pilares da alimentação andina.

Por esse motivo, segue uma receita que encontrei no blog da Mundo Verde, uma rede de lojas naturais. Já testei e, além de muito gostosa, foi ótima para recordar as lembranças tão queridas da trilha inca. Para provar e virar fã, anote os ingredientes:

La Chica de Mochila adora: SOPA DE QUINUA

Ingredientes:

  • 3 xícaras (chá) de grãos de quinua
  • 2 cebolas
  • 1 dente de alho
  • Legumes variados (abóbora, milho, abobrinha, cenoura)
  • 3 litros de caldo de legumes
  • 2 colheres (sopa) de azeite extra virgem
  • Sal e pimenta a gosto

Preparo

  • Refogue as cebolas e o alho bem picados no azeite até dourar.
  • Junte os legumes picados em cubinhos e o caldo.
  • Cozinhe até ficar macio.
  • Adicione os grãos de quinua e cozinhe por mais 15 minutos.
  • Tempere com sal e pimenta.

O que esperar de cada dia da trilha inca?

 O que esperar de cada dia da trilha inca?                                              Um relato dos 4 dias na trilha inca:

Grupo na entrada da trilha, ruínas impressionantes logo de cara e a 1a. noite dormindo em uma barraca!

1o. dia – Data marcada, mochila pronta e o despertador toca às 05h15 da manhã, em Cusco. Não demora e a van da Kintu Expeditions passa para me pegar na pousada. Rapidamente os outros participantes do grupo – Glauber, Fabiana, Matt, Emma e Kazu – aparecem e partimos rumo à Ollantaytambo, para fazer comprinhas de última hora. Foi aqui que sabiamente adquiri meu cajado e as folhas de coca.

Seguimos então para o quilômetro 82 da ferrovia, onde fica o 1o posto de controle para apresentarmos os documentos e carimbarmos um ticket de entrada no caminho inca.  O início da trilha é suave, em chão de terra batida quase sempre plano ou com pequenas inclinações. Passamos pelas ruínas de Llactapata, almoçamos e seguimos já em uma subida mais puxada até o acampamento da 1a. noite, que fica a 3 mil metros de altitude, em Wayllabamba. Ao total são 12 km de dificuldade média. Durmo pela 1a. vez em uma barraca cercada por galinhas, um pavão e um porco. Bom, tô aqui pra ter história pra contar, né? Então tá tudo certo!!

Nosso guia aponta o trajeto desafiador do 2o. dia; bromélias emolduram a paisagem; dever cumprido no topo da montanha Warmiwañusca, a 4200m de altitude.

2o. dia – Acordo cedo com o guia dando pequenos soquinhos na barraca. Mal abro os olhos e um braço adentra a barraca com uma caneca de chá de coca fervendo. Dormir no chão duro e inclinado não é exatamente um sonho, mas estava ansiosa para o dia mais desafiador da trilha. Seriam 11 km de trekking, quase todos morro acima. Café da manhã reforçado por algumas tostadas con mantequilla. Ponho todos os agasalhos, gorros, luvas e cachecóis. Frio fora e dentro da barriga.

Nesse dia aparecem de fato as escadas incas, com seus degraus  largos e altos. O calor não tarda a aparecer, me hidrato e masco bolas de folha de coca para agüentar o tranco. Em poucos minutos vou do gorro e casaco mais quentinho para a blusa mais fininha e um rabo de cavalo alto.

Passamos por Llulluchapampa até alcançarmos Warmiwañusca, o ponto mais alto da trilha a 4200 metros acima do nível do mar. Para mim, uma verdadeira vitória! Fico estranhamente exausta e animada. Devem ser as folhas de coca.

Tagarelando sobre o grande feito de termos passado pelo ponto mais tenso da aventura, almoçamos super bem e iniciamos uma descida rumo ao acampamento em Pacaymayo. Esse lugar, em especial, é bem bacana, pois a maioria dos grupos fica perto um do outro e dá para conhecer melhor os demais viajantes. É também a noite mais fria. A 3500 metros de altitude, me enrolo no meu cobertor de emergência, visto todas as minhas roupas, confio na eficiência do meu sleeping bag. Torço para amanhecer logo.

Solzinho animador pela manhã; descida rumo à floresta tropical e aos mosquitos famintos; observatório astronômico inca.

3o. dia – Amanhece. Apesar de ser o percurso mais longo, com cerca de 16 km, sei que nada poderá ser mais desafiador do que o dia anterior. Ainda assim, a trilha começa para cima. Penso que estou arrasando, que vou fazer um trekking por semana quando voltar ao Brasil. Obviamente não foi bem assim. Mas naquele momento esse pensamento me entusiasmou.

O caminho vai ficando especialmente bonito, seja pela vegetação ou pelas ruínas de Runcuracay e Sayacmarca que vemos antes do almoço. Depois, são só descidas rumo a uma floresta tropical de altitude cada vez mais baixa. Haja joelho! Aqui aparecem os mosquitos impiedosos e duros na queda. Só com dose extra de repelente!

Chegamos então ao complexo arqueológico de Puyupatamarca. Paramos para descanso e fotos e continuamos a descer até o acampamento de Wiñaywayna, que fica a 2600 m de altitude. Por lá há uma certa infra-estrutura, com um esboço de banho e até de balada. Black Eyed Peas na trilha inca? Acho que não.

Fico em uma barraca coletiva papeando com meus companheiros de trilha. Nesse dia é legal dar uma gorjeta à equipe de carregadores. Como falo um espanhol razoável, achei válido arriscar algumas palavras e fazer um agradecimento, em nome do grupo, ao trabalho de todos.

Machu Picchu vista lá de cima e depois em close. Mais tarde, Cusqueña gelada e o merecido brinde do grupo!

4o. dia – É o dia em que se acorda mais cedo  e que menos se anda (cerca de 4km). Ainda é noite. Encontro todos os outros viajantes em uma espécie de hall do bar do camping.  A expectativa começa a crescer e vai dando uma espécie de euforia.

Quando o guia autoriza, os grupos se dirigem ao último posto de controle, que abre por volta das 06h00. As pessoas apertam o passo, em fila, na ansiedade para chegar ao Portal do Sol, entrada dos incas para a cidade de Machu Picchu.

E aí, quando você menos espera, lá está.  Desacelero. Os trilheiros vão se “empuleirando” ao redor do portal. É emocionante quando as nuvens, aos poucos, vão dando lugar à paisagem de Machu Picchu. Você se sente um pouco descobridor deste local sagrado que está lá só para você.  Chegamos, enfim!

Hernán, o guia,  faz um passeio conosco pelo complexo arqueológico. Em seguida, temos tempo livre para explorar o local como quisermos. Me impressiono com a energia do lugar, especialmente com a quantidade de flores e passarinhos. São aves azuis bem pequenas que me remetem a um ambiente mágico e realmente especial.

Na hora do almoço, desci a pé até Águas Calientes com Glauber e Fabiana. Chegando na cidade, nos juntamos ao restante do grupo para comermos nossa última refeição juntos. Truta com arroz e fritas. E uma Cusqueña, por favor! Brindamos suados e felizes com uma cerveja trincando de tão gelada.

Na despedida, lágrimas no cantos dos olhos são inevitáveis. É incrível como você se apega àquelas pessoas. Quando todos se vão, dá um vazio enorme, acompanhado pela sensação de  alegria por tudo ter dado incrivelmente certo.

Sigo novamente sozinha em direção ao meu hotel, onde havia reservado um  quarto simples, mas com cama de casal e banheiro só para mim. Tomo um dos melhores banhos quentes da vida, valorizo um shampoo como nunca antes. Dou uma voltinha pela cidade e durmo que nem pedra. Acordo às 05h00 da manhã, com o fuso horário adiantado pelos dias na trilha. Assisto um pouco de TV peruana. É uma novela engraçada. Tomo café e parto em direção à estação de trem. É hora de voltar para Cusco e encarar mais 5 semanas de viagem sozinha. Embarco feliz.

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O que levar na trilha inca?

O que levar na trilha inca?                                                                  Quando me dispus a fazer a trilha inca, sabia que seria parte fundamental desta conquista pessoal carregar meus próprios pertences.

Cajado, saco de dormir e travesseiro fazendo contrapeso com a mochila + bolsa com máquina fotográfica, folhas de coca e comidinhas energéticas.

Boa parte das pessoas, no entanto, contrata porteadores. São carregadores que levam sua mochila com roupas, saco de dormir, comida, etc… enquanto você segue com uma mini mochilinha ou pochete.

Eu, que sempre fui fracota, não entreguei os pontos. Abri mão dos supérfluos, estudei bem o que levar e carreguei numa boa os seguintes itens (divididos em uma mochila de 10 litros da Deuter e uma bolsa/pochete esportiva):

–       2 blusas de manga longa tipo dry fit. Não pesa nem ocupa espaço!

–       2 blusas de manga curta tipo dry fit

–       1 jaqueta Lafuma LD Lane impermeável, corta-vento e bem ventilada. O legal é que dá pra dobrar bem e ocupa pouco espaço na mochila

–       1 casaco tipo polar/ sleece

–       1 calça de tactel, daquelas com zíper que viram shorts

–       1 blusa segunda pele da Curtlo, que retém calor e transporta o suor para fora do corpo

–       1 calça segunda pele da Curtlo

–       1 bota Salomon Fast Packer GTX Feminino – Melhor investimento!

–   3 pares de meia Lorpen especiais para trekking (2 mais finas, 1 mais grossa. Bem caras, mas valem cada centavo. Não tive nem sinal de bolha!)

–       1 cachecol

–       1 luva

–       1 gorro

–        1 capa de chuva

–       1 garrafa térmica de 1 litro + pastilhas purificadoras para a água

–       Estojo de remédios

–       Repelente

–       Capa de chuva

–       Lanterna

–      Óculos escuros

–      Filtro solar

–       Desodorante

–     Pasta e escova de dente

–       Lenços umedecidos, que foram o meu “banho” por alguns dias.

–      Papel higiênico.

–       Roupa íntima

–       Barras de cereal, castanhas do Pará, folhas de coca e gel energético

–       Máquina fotográfica

–      Cobertor de emergência. Parece 1 folha de alumínio que fica dobrada e ocupa um espaço mínimo. Fez toda a diferença na 2a. noite, que é a mais fria.

–       Saco de dormir Lafuma Extreme 650. Super leve e compacto.

–    Isolante térmico para o saco de dormir. A agência me emprestou. É leve e consegui amarrar numa boa em uns ganchos da mochila.

–      Cajado. Comprei um roots em Ollantaytambo e foi fundamental. Sem ele teria sido impossível passar pelos quase 9km (!) de subida do segundo dia.

Apesar de parecerem muitos itens, note que você estará vestindo boa parte disso tudo naquele esquema “cebola”. São várias camadas que dá para tirar e acrescentar conforme a temperatura vai mudando.

Uma boa dica para comprar esses produtos é fazer uma visita às lojas especializadas, como a Casa de Pedra, a Mundo Terra e a 100% Aventura, para quem mora em São Paulo. Os sites são úteis para fazer pesquisa de preço, mas nada substitui a assistência de um vendedor experiente que ainda te brinda com alguns bons conselhos de trekking e aventura.

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