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Rota Salar de Uyuni – Visitando o Salar e chegando em Uyuni no 3o. e último dia.

No último dia de percurso, pulei da cama motivada para o aguardado destino final, o Salar de Uyuni. A atração é a primeira da lista e não demorou para meus olhos ficarem totalmente ofuscados pelo reflexo do sol na imensidão de sal. Aqui, óculos escuros e protetor solar são fundamentais.

Caminhando pelo Salar. Paisagem linda e única!

São 12.000 kilometros quadrados de um cenário absolutamente contrastante, metade branco, metade azul. Como eu fui no inverno, o chão estava todo craquelado, formando um desenho lindo. Na  época de chuva, no verão, entre dezembro e fevereiro, uma fina camada de água atua como um espelho gigante, garantindo também um cenário surpreendente.

Detalhe do solo.

Um dos grandes clichês do Salar são as foto montagens, que brincam com a perspectiva. No começo achei bobo, mas depois lá estava eu sucumbindo a brincadeira e me divertindo horrores!

Betina, Sophie e eu nas mãos do Roberto. Foto montagem tão brega quanto inevitável!

A segunda parada, ainda dentro do Salar, foi a ilha Incahuasi, também conhecida como Isla del Pescado. O local tem cactus gigantes, como esses da foto:

Cactus gigantes em Incahuasi

Aqui, almocei arroz, batata e vegetais (tinha carne também, mas sou vegetariana). Vale ressaltar que é o próprio motorista que desempenha o papel de cozinheiro, além de guia.

Roberto, Sophie, Betina, Bel e nosso almoço na Isla Incahuasi.

Em seguida, passamos pelo antigo hotel de sal, pioneiro na região, e continuamos em direção ao vilarejo de Colchani, observando o trabalho dos extratores de sal. Lá, visitamos lojas de artesanatos feitos de sal, uma fonte de renda importante para os nativos. Percorremos mais 19km e, pouco antes de chegarmos a cidade boliviana de Uyuni, passamos pelo Cemitério de Trem, onde estão algumas carcaças abandonadas. Meio trash, para falar a verdade.

Cemitério de trens

A essa altura, o tour já estava próximo do fim. Dali 1 km chegamos na sede da agência Cordillera Traveler, em Uyuni, onde me despedi dos companheiros de percurso. Para quem viaja sozinha, como eu, dá sempre um aperto no coração nessa hora. Mas esse processo de conhecer, se apegar, compartilhar ótimos momentos e depois, inevitavelmente, ter que se afastar é uma ótima metáfora para a vida, em geral. Lidar com a impermanência das relações, mesmo que no modo “fast”, como no caso de um tour de 3 dias, era parte importante do aprendizado que eu buscava nessa viagem. Entonces, vamo que vamo!

Uyuni

Pelo pouco que vi de Uyuni, e também li nos guias, sabia que o melhor negócio era zarpar da cidade no mesmo dia. Sendo assim, logo fui me informar sobre os ônibus, que ficam concentrados atrás da igreja principal da cidade, no fim da Av. Arce.

Considerando os principais destinos, existem saídas diárias para Oruro (conexão para quem vai a La Paz), Potosí, Sucre e Tapiza. Uma dica aqui é garantir sua passagem o quanto antes, para não correr o risco de ficar sem lugar no ônibus. Comprei a minha para Sucre, partindo às 19h00.  Foi uma viagem noturna de 11 horas de duração, no frio, em estradas mal conservadas e sem banheiro no veículo. Roubada? Nem tanto, podia ser pior! Mas isso é relato para um  próximo post.

Por hora, achei legal separar algumas dicas rápidas sobre Uyuni, caso seu ônibus saia só no dia seguinte ou por algum motivo você tenha que pernoitar por lá.

Onde ficar:

Hostal Marith – Albergue com melhor custo-benefício, a diária sai por cerca de 50 bolivianos por pessoa. Super procurado pelos mochileiros, possui áreas comuns que favorecem a interatividade entre os viajantes. Fica na Av. Potosí, 61.

Toñito Hotel – Com um pouco mais de conforto, um quarto duplo vale em torno de 300 bolivianos. Vantagens como água quente, wi-fi e bom restaurante fazem do Toñito um dos hotéis mais procurados da cidade. Reserve com antecedência. Fica na Av. Ferroviária, 60.

Los Girasoles Hotel – Provavelmente uma das hospedagens mais requintadas de Uyuni. No Los Girasoles, a diária para um casal beira os 500 bolivianos. Não espere nenhum 5 estrelas, mas camas confortáveis e visual agradável atraem os turistas mais exigentes. Localizado na Rua Sta Cruz,  155. Não achei o site, então segue o e-mail: girasoleshotel@hotmail.com

Onde comer:

Em Uyuni, achei as pizzas uma pedida prática, gostosa e sem muito erro. Duas sugestões são o restaurante Arco Iris, que fica na principal via da cidade, a Av. Arce, 27, e o Minuteman Revolutionary Pizza, que fica no Hotel Toñito.

Em ambos, espere gastar em torno de 35/40 bolivianos, pois os preços são para turistas.

Câmbio em Uyuni:

Quando os jipes da Cordillera chegaram em Uyuni, vários turistas ficaram a ver navios, pois o único caixa para sacar dinheiro (ATM) estava fora de serviço.  Conversei com os moradores e constatei que essa situação é pra lá de comum. Por isso, não venha despreparado. Chegue com alguns pesos bolivianos ou vá até uma casa de câmbio na Av. Potosí, onde você pode trocar dólares e pesos chilenos e argentinos até mesmo aos domingos.

Saindo da cidade de trem:

Não tenho informações detalhadas, mas sei que saem trens para as cidades bolivianas de Oruro, Tupiza e Villazón em horários e dias da semana específicos. Há ainda um trem internacional com destino a Calama, no Chile.  Na alta temporada, alguns trechos se esgotam rapidamente. Por esse motivo, compre seu bilhete com antecedência na estação de trem, que fica no começo da Av. Arce, próximo à praça. Outra alternativa é tentar garantir sua passagem em agências de viagem.

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Rota Salar de Uyuni – 2o. dia: Lagoas altiplânicas e deserto de Siloli

No segundo dia do percurso, acordei um tanto cansada. A minha primeira noite acima dos 4 mil metros de altitude foi de sono muito leve e sonhos confusos. Nada que um chá de coca e um dia ensolarado pela frente não resolvesse.

Flamingos de longe e de perto na lagoa colorada

Antes das 09h00, partirmos para a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa em direção à laguna colorada que, originalmente, é visitada no 1o. dia, mas tivemos que adiar em virtude do vento excessivo. Pela manhã, com as temperaturas mais amenas, pudemos conhecer com calma um dos cenários mais bonitos da província de Sud Lípez. A lagoa é habitada por mais de 30 mil flamingos de diferentes espécies e vê-los livremente em seu habitat natural foi o ponto alto do meu dia.

O guia nos contou que a cor avermelhada das águas deve-se ao sedimento depositado pelas algas. E que os flamingos adquirem essa mesma coloração por alimentarem-se dessa vegetação, já que originalmente eles nascem acinzentados.

Deserto de Siloli

Árvore de pedra no deserto de Siloli

Fotos com flamingo pra cá, fotos com flamingos pra lá, entramos novamente no carro e seguimos viagem passando pelo deserto de Siloli, onde vimos a intrigante árvore de pedra. Trata-se de uma formação rochosa lapidada pela milenar erosão do vento.

Mais flamingos na laguna Honda

Em seguida, visitamos as lagoas altiplânicas Honda, Chiarcota e Cañapa. Aqui, o mais legal é ficar atento à fauna local. Além de mais flamingos, meu grupo avistou raposas e vicuñas – a parente selvagem da llama.

Eu, Betina e Izabel. Ao fundo, vulcão em atividade expele fumaça.

Ainda no meio do caminho paramos para observar, ao longe, um vulcão em atividade. Foi uma delícia esticar as pernas, bater um papo e tomar um solzinho com esse visual de pano de fundo.

Fechamos o dia no povoado de San Juan, onde fica o hotel de sal de propriedade da agência Cordillera. Na entrada da cidade, paramos em uma vendinha e nos abastecemos com algumas bolachas, folhas de coca, vinho e cerveja.

Paredes e cama feitas de sal no hotel em San Juan. A foto está sem foco, mas é só pra mostrar os blocos de sal ;)

O mais bacana do hotel é que toda sua estrutura (paredes, cama, mesa, bancos) é feita de blocos de sal. Ainda há o bônus dos quartos serem para 2 ou 3 pessoas e o banheiro (coletivo) ter chuveiro com água quente. Bom, “água quente” é um pouco de otimismo, já que a temperatura oscila muito e mesmo a água dura por um tempo determinado. Dica preciosa: esteja entre os primeiros a tomar banho!

No fim da noite, após o jantar, um grupo de garotos bolivianos fez um número com músicas típicas. Nunca sei como me sentir diante desse tipo de manifestação, especialmente com crianças.  Fico dividida. Eles tem prazer no que fazem? Estão lá por obrigação?  Na dúvida, assisto ao show com todo meu respeito.

Na sequência, um grupo de turistas europeus se reuniu em torno de um iPod para fazer uma festinha ao som de Katy Perry, Lady Gaga e Black Eyed Peas. Me senti como se a vida, em geral, tivesse entrado no modo “shuffle”. Muitas vezes a globalização é legal e tal, mas preferi acreditar que aquelas crianças realmente davam valor às suas raízes, que o mundo ainda tinha peculiaridades e que nada combinava menos com o povoado boliviano de San Juan do que a música “poker face”. Fui dormir. Melhor assim.

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Rota Salar de Uyuni – Escolha da agência, preparativos e primeiro dia na estrada

Dentre os vários passeios com destino ao Salar de Uyuni, optei pela travessia que saía do Chile, de San Pedro do Atacama, e terminava na cidade boliviana de Uyuni. Esse pacote, que acredito ser um dos mais completos e tradicionais, dura 3 dias.

Na hora de escolher a agência, fiz uma pesquisa cuidadosa. Isso porque  haviam me alertado sobre carros muito velhos que quebravam a todo instante e até mesmo motoristas irresponsáveis que dirigiam alcoolizados. Após essa busca, fechei com a Cordillera Traveler por USD 130,00 (hoje sai por USD160,00 – estadia e refeições inclusas). A operadora, que foi a mais bem recomendada, faz a rota há muitos anos e é administrada por uma família boliviana.

Jipes 4x4 da Cordillera Traveler e posto de imigração boliviano.

Na noite anterior a partida, comprei um galão de 5 litros de água (imprescindível levar sua própria água potável) e alguns petiscos, como chocolates e bolachas para comer no caminho. Dormi cedo e acordei às 07h00 para pegar uma van na sede da agência. De lá,  seguimos até a fronteira, onde mostramos o passaporte no posto de controle chileno e, em seguida, no boliviano. Ali, tomamos café da manhã e os turistas foram divididos em veículos 4×4, com até 6 pessoas, fora o guia.

Lembrando os mais exigentes que são jipes antigos, que sacolejam e não tem ar-condicionado. Outro detalhe é a trilha sonora, uma única fita cassete que toca música típica boliviana no modo “repeat” durante os 3 dias. No início, achei engraçado e até bem-vindo para me integrar à cultura local. Depois da quinta execução de “Mi palomita querida”, devo confessar que tive gana de pular pela janela. Então, já sabe, carregue bem a bateria do seu iPod para não surtar.

Continuando. No meu grupo, fomos apenas em 5 passageiros, sendo que todos os companheiros de viagem, 1 alemã, 2 francesas e 1 italiano, eram super bacanas. Aqui é sorte mesmo, pois a convivência é intensa durante o percurso.

Detalhe do gelo na borda da lagoa branca e vento forte na hora da foto na lagoa verde.

Partimos então rumo às belas lagoas verde e branca, que ficam bem próximas ao vulcão Licancabur. Alguns pássaros, semelhantes a pequenas gaivotas, flutuavam nas suas águas congelantes,  onde é possível se aproximar apenas até uma crosta de gelo e sal. Nadar, molhar o pé, etc, nem pensar!

Deserto de Dali e termas de Chalviri.

Voltamos ao carro e o cenário começou a se modificar. Surgiram  montanhas beges e alaranjadas e pedras enormes que deram o nome de Deserto de Dalí à região, uma alusão aos quadros surrealistas do pintor catalão. Alguns dizem que o local realmente foi sua fonte de inspiração. Lenda que uma parte de mim gosta de acreditar.

Mais adiante, paramos na piscina natural de Chalviri onde, em meio ao frio e ao vento intensos, alguns turistas se banharam nas suas águas termais quentinhas. Se preferir, vá com roupa de banho por baixo.

Vimos ainda os geyseres Sol de Mañana, que expeliam fumaças em um campo geotérmico interessante, embora bem menos impactante do que o El Tatio, do Atacama, sobre o qual escrevi anteriormente nesse post.

Vista do albergue, lanche da tarde com meus companheiros de viagem e llama caminhando em frente a nossa janela.

O dia terminou em um albergue próximo à lagoa colorada. A hospedagem, que é exclusiva da agência Cordillera, era simples, sem chuveiro (leve lenços umedecidos), com quartos e banheiro compartilhados, mas bastante acolhedora. Lanchamos bolacha maizena com chá de coca, jantamos salada, sopa e macarrão e fizemos uma festinha com os grupos que viajavam em outros jipes. Teve até direito a cerveja Paceña, vendida lá mesmo.

A noite chegou acompanhada por um frio cruel, pois tratava-se de um terreno descampado a 4.500 metros de altitude! Para se ter uma idéia, as janelas do meu quarto ficaram cobertas, do lado de fora, por uma camada de gelo! Por isso, roupa quente e saco de dormir, para reforçar o cobertor, são fundamentais. Sobretudo para quem for no inverno, entre junho e agosto, como foi o meu caso.

>>> Amanhã, tem mais um post sobre o segundo dia da rota rumo ao Salar de Uyuni. É nesse dia que ficamos bem perto dos flamingos, na laguna colorada. Imperdível!

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