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Três passeios nos arredores de Cusco que você precisa fazer.

Três passeios nos arredores de Cusco que você precisa fazer.

Cusco é um destino super disputado na América do Sul. Afinal, é ponto de partida para Machu Picchu, um dos complexos arqueológicos mais importantes do mundo! No entanto, o entorno da cidade reserva outras boas surpresas que merecem alguns dias da sua viagem. Saiba quais são e como conhecê-las.

Boleto Turístico de Cusco

 O boleto turístico

Chegando em Cusco, uma das primeiras providências a serem tomadas é comprar este boleto que será seu passaporte para 16 atrações localizadas na cidade e nos arredores.

O lugar mais prático para adquiri-lo é a Oficina Executiva do Comitê do Boleto Turístico, que fica na Av. El Sol, no. 103, a 5 minutos de caminhada da Plaza de Armas.

O valor, um tanto salgado, de 130 soles é a melhor opção para o viajante, já que os lugares contemplados pelo boleto não vendem entradas avulsas. Para estudantes com carteirinha da ISIC, o preço cai para s/70.

Obs: Embora o boleto seja imprescindível no acesso a alguns dos principais locais de interesse, incluindo partes dos 3 tours descritos abaixo, vale ressaltar que pontos como a Catedral (s/25), Q’oricancha (s/10), o Museu de Arte Precolombino (s/20) e o Museu Inka (s/10) cobram entradas à parte.

Veja aqui, em detalhes, quais lugares fazem parte do boleto.

 1) City tour 

Qorikancha, Tambomachay e Sacsayhuamán

É um passeio que dura meio dia e geralmente é feito na parte da tarde, a partir das 14h00. Nele, você conhecerá boa parte da história da fundação da cidade imperial de Cusco, visitando as ruínas de Q’oricancha, bem no centro da cidade, e Sacsayhuamán, Q’enqo, Pucapuara e Tambomachay, estas a um raio de até 11km da Plaza de Armas.

Destaque para Sacsayhuamán, que representa a cabeça de Cusco, já que a cidade foi planejada para ter o formato de um Puma, animal sagrado para os incas. Estima-se que mais de 20 mil pessoas tenham trabalhado na construção deste importante complexo militar do século XV. Hoje, além das ruínas, é possível aproveitar a linda vista panorâmica  que o local oferece.

2) Vale Sagrado

Mercado de Pisac, Ollantaytambo e comunidade têxtil em Chinchero.

É um dos passeios mais bacanas, na minha opinião, por combinar visitas históricas às ruínas com o contato com os moradores das cidades do Vale. Muitos deles, aliás, ainda falam quéchua, a língua nativa dos índios da região.

Por unir passado e presente, o tour é uma verdadeira aula de sociologia in loco. Sendo assim, capriche na escolha da agência para pegar um guia bem legal!

O passeio, que dura um dia inteiro, começa rumo à Pisac. Aqui, há um tradicional mercado de rua às terças, quintas e domingos que rende boas compras em artesanatos, roupas de alpaca, acessórios de prata, além de farta exposição de frutas, verduras e legumes típicos.

Em seguida, há um almoço em Urubamba, para degustar a culinária cusqueña, acompanhada por um pisco sour ou uma chicha morada e um show de música peruana.

De Urubamba, o tour percorre mais 19km até Ollantaytambo, onde está uma das zonas arqueológicas mais interessantes do Vale Sagrado. Você verá de perto um conjunto de construções incas com finalidades agrícolas, religiosas, militares e administrativas.

O dia termina com um passeio por Chinchero e suas casas de adobe, passando por uma igreja colonial que data do século XVII e uma comunidade de artesãos que mostram o processo natural de tingimento das lãs com as quais são feitos artesanatos e roupas.

3) Moray & Maras

Terraços agrícolas e artesanato em Moray e salineiras de Maras.

Menos popular do que os dois outros passeios, o tour pode ser feito na parte da manhã. Particularmente, foi uma grata surpresa na minha viagem!

Em Moray, a 48 km de Cusco, pode-se ver de perto um verdadeiro laboratório agrícola dos incas. Trata-se de uma estrutura circular gigante composta por diversos terraços que possuem microclimas diferentes. Isso possibilitou o crescimento de uma farta diversidade de grãos, que foram a base da alimentação inca e são, até hoje, a raiz da culinária local, como é o caso do maiz (milho).

Na sequência, você será surpreendido pela impressionantes vista das salineiras de Maras, que parecem uma pintura em tons de marrom, bege e branco nas montanhas. São uma série de tanques irrigados pelo rio que, quando secam, formam blocos de sal que são extraídos e vendidos pelos moradores locais.

PS: Os roteiros mencionados aqui podem sofrer alterações de acordo com o itinerário da cada agência.

Agências

A inegável vocação turística de Cusco  vem acompanhada por milhares de agências e representantes que seguramente te abordarão nas ruas oferecendo passeios. Além da sempre recomendável pesquisa de preços, cheque os detalhes do pacote  e busque referências sobre as empresas.

Andina Travel, Explorandes e Inka Terra são algumas das mais reconhecidas. Porém, prepara-se para preços voltados para gringos do hemisfério norte. Para tarifas mais amistosas e serviço igualmente confiável (mas sem tantos luxos), recomendo a Reserv Cusco. (ver observação da leitora Ana Maria na caixa de comentários).

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Águas Calientes: onde ficar e comer na cidade base para quem vai à Machu Picchu.

Águas Calientes: onde ficar e comer na cidade base para quem vai à Machu Picchu.

Durante minha viagem pelo Peru, conheci pessoas que adoraram e outras que se decepcionaram com a ultra turística Águas Calientes. Particularmente, achei a cidade bem simpática, mas devo reconhecer que os preços inflacionados nem sempre correspondem à qualidade do serviço, o que pode tirar alguns pontos da experiência por lá. Por isso, com o intuito de melhorar sua estadia, achei válido reunir algumas boas dicas de hospedagem e alimentação.

Mesas na calçada do Chez Maggy, sobremesa delicinha do Tree House e quarto com vista para a floresta no Rupa Wasi/ Fotos: Chez Maggy e Rupa Wasi

ONDE COMER

Chez Maggy: Para os viajantes econômicos, que não querem gastar mais do que 25 soles, cá está a pizzaria Chez Maggy, bem no meio do burburinho da cidade, na Av. Pachacutec, 156. Com suas famosas redondas e um menu que contempla ainda pastas e pratos regionais, o restaurante familiar já é conhecido em Cusco, onde tem duas unidades.  Bom custo-benefício para anotar no caderninho pré viagem!

Índio feliz: Para quem está  buscando um menu mais rico, diverso e sofisticado, a pedida é o Índio Feliz. O local, que se define como “bistrô, bar e creperia” está sempre cheio com sua mescla de culinária peruana e francesa. É uma delícia e tem menu do dia por 54 soles na Calle Yupanqui, 4.

Tree HouseCom produtos típicos, como a truta, a alpaca e o Cuy (espécie de porquinho da índia criado no Peru), mas também com opções vegetarianas, como o risoto de quinua, o Tree House fica mais afastado do centro, na Calle Huanacaure, 180.  É um bom local para quem quiser fugir da aglomeração de turistas e se lançar em um programinha mais romântico e gourmet provando os menus degustação de 6, 8 ou 10 pratos. Os preços sobem um pouco e podem chegar a 70 soles. Ah, é o restaurante do hotel Rupa Wasi, sobre o qual falo a seguir.

ONDE FICAR

Rupa Wasi Lodge – Bem charmoso, o hotel oferece diárias em quarto duplo por USD69,00 (standard) e USD 109 (superior), sendo alguns deles com vista panorâmica para a floresta. Os preços aumentam na alta temporada, nos meses de julho e agosto, por isso é legal checar antes as tarifas aqui. Fica no mesmo endereço do restaurante Tree House (Calle Huanacure, 180).

>>> Uma dica bacana é pedir o “lunch box” deles, uma espécie de merenda com sanduíche, barra de cereal, suco e frutas secas  para quem pretende passar o dia visitando Machu Picchu. O preço de USD 10,00 é bem ok, se compararmos com os valores absurdos da única lanchonete que fica na entrada das ruínas.

Pirwa Hostel – O hostel é para quem abre mão das regalias, belas vistas e amenities em nome de uma diária mais amistosa (barata ;)), o que veio a calhar para mim que viajava sozinha e quase sempre tinha que arcar com uma tarifa double. No Pirwa, o quarto com cama de casal e banheiro privativo sai por USD 35,00, incluindo café-da-manhã. É bem localizado (Calle Tupac Yupanqui, 103), tem banho quente, computador e wi-fi para os hóspedes…. enfim: achei digno!

Para quem ganhou na loteria, para quem quer chutar o balde, para quem está em lua-de-mel…

tem o Machu Picchu Sanctuary Lodge! O hotel fica do ladinho de Machu Picchu. Também tem massagem, aromaterapia, restaurante premiado com cardápio internacional porque, afinal de contas, é coisa de mais de USD 1.000 a diária!

Para os curiosos ou para aqueles que estão com plata sobrando no bolso, dá para espiar mais sobre o hotel aqui.

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Onde comprar entrada para Machu Picchu, validade e preço do ticket

UPDATE: A Lu Malheiros, do blog Dividindo a Bagagem, esteve recentemente em Machu Picchu e conta sobre as mudanças na compra de ingressos, incluindo a reserva para subir a montanha Huyana Picchu. Leia o texto na íntegra aqui.

Informação fundamental para quem vai à Machu Picchu: o ticket deve ser providenciado em Cusco ou Águas Calientes, não sendo possível adquirí-lo direto na entrada do parque.

Entrada de Machu Picchu Foto: TravelPod

Em Cusco vá ao Instituto Nacional de Cultura (INC), que fica na Calle San Bernado, a poucas quadras da Plaza de Armas. Em Águas Calientes, vá ao Centro Cultural de Machu Picchu, facinho de achar, próximo à estação de trem Machu Picchu Pueblo.

Na hora, prepare-se para desembolsar 126 soles (dólares não são aceitos). Estudantes pagam meia, mas somente com a carteirinha internacional da ISIC. Após emitido, o ticket deve ser usado dentro de 3 dias, sendo que é válido apenas para 1 dia de visita ao local.

O complexo arqueológico de Machu Picchu fica aberto das 06h00 às 17h30. Na entrada, você precisará deixar seus pertences, se forem grandes, em um guarda-volumes. Ao lado, há uma salinha para quem quiser carimbar o passaporte com uma estampa de Machu Picchu. Eu, que costumo levar super a sério qualquer informação no passaporte,  não resisti e registrei minha passagem por lá!

Ah, uma dica: fuja correndo da lanchonete e da lojinha de souvenirs que cobram preços SURREAIS! Para comprar lembrancinhas,  dê um pulo na feira que fica na estação de trem de Águas Calientes.

Se tiver que fazer um investimento, que seja na hora de contratar um bom guia, pois andar pelas ruínas sem ter idéia do que elas representam é um desperdício e tanto! Você pode negociar o preço lá mesmo, variando geralmente de USD10 a 15 por pessoa em um grupo de 5. Uma idéia mais econômica, boa para quem viaja sozinho, é comprar um livro que traga as principais informações sobre o lugar.

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La Chica de Mochila ensina como ir de trem a Machu Picchu.

La Chica de Mochila ensina como ir de trem à Machu Picchu.  Existem dois perfis comuns de roteiro para quem vai à Machu Picchu de trem: fazer tudo em um dia só ou pernoitar em Águas Calientes.

Apesar de ser uma grande entusiasta da trilha inca, reconheço que estas opções podem ser as melhores para quem está fora de forma, tem problemas de saúde, pouco tempo de viagem  ou mesmo não é muito fã de trekking.

Trem: opção para quem quer conhecer Machu Picchu sem fazer a trilha inca. Foto: Perurail

Machu Picchu em em um dia só

O trem sai de Cusco rumo a Águas Calientes entre 06h00 e 07h00 e chega em torno das 10h00 na cidade. O retorno costuma ser por volta das 16h00, dependendo do trem escolhido.

Machu Picchu sempre vale a pena, mas é importante saber que não dará tempo de pegar senha para escalar Huayna Pichu, montanha que dá uma vista panorâmica do complexo arqueológico. Além disso, você fará a visita no horário de pico dos demais turistas. Na alta temporada (julho e agosto), prepare-se para conviver com um certo “auê” que reduz consideravelmente a paz do lugar.

Chegando na cidade-base para subir até Machu Picchu, você deverá pegar um micrôonibus que custa USD 7,00 cada trecho.

Atenção: não esqueça de comprar a entrada para Machu Picchu direto em Cusco. Isso te economizará um tempo precioso em Águas Calientes.

Machu Picchu com pernoite em Águas Calientes (RECOMENDADO)

Nesse caso, você chega com calma em Águas Caliente, com tempo para dar uma voltinha na cidade (que é bem pequena), jantar leve e dormir cedo. Eu não fui às águas termais, que dão nome à cidade, mas ouvi de outros turistas que é um programa perfeitamente dispensável, para não dizer uma roubada!

No dia seguinte, você estará de pé às 4h00 da matina para pegar o microônibus a partir das 05h30 ou subir até Machu Picchu por conta própria em um caminho que corta a estrada. Pense bem, pois pode ser cansativo para quem pretende emendar com a escalada de 2 horas à montanha Huayana Pichu.

Aliás, encarar  a subida à Huayna Pichu é um dos principais motivos de quem pernoita em Águas Calientes. Como o acesso é controlado, você precisará garantir sua senha logo cedo, optando por um destes horários: 07h00 ou 10h00. São 200 pessoas por turno somente.

Lembre-se também que esta empreitada exige preparo físico, roupa e tênis adequados, água e repelente, para dizer o mínimo.

Informações sobre os trens para Machu Picchu.

Expedition: ótimo custo-benefício para a rota Cusco-Machu Picchu. Foto: Perurail

A Perurail oferece 3 opções de trem para fazer a rota Cusco-Machu Picchu. Do mais para o menos luxuoso, são eles  Hiram Bingham, Vendome e Expedition, que custam USD 299, USD 71,00 e USD 56,00 por trecho, respectivamente. Você pode comprar pelo site da compania, em alguma agência de turismo ou na própria estação de trem, mas não esqueça de fazer isso com antecedência mínima de 48 horas.

O Expedition, que eu peguei depois de fazer a trilha inca, é destinado a mochileiros e viajantes econômicos. Achei excelente e muito confortável, sobretudo ao levar em conta que tudo que envolve Machu Picchu já é bem inflacionado. Dá uma olhada nesse vídeo, em inglês, para conferir mais detalhes do trem e da viagem:

A diferença para o Vistadome são alguns pequenos luxos como refeição regional, poltronas de couro, janelas mais amplas e até um showzinho folclórico. Já o Hiram Bingham é praticamente um pacote de luxo, incluindo refeição a bordo, entrada e visita guiada à Machu Picchu e ainda um lanche da tarde no Machu Picchu Sanctuary Lodge.

Os trens saem e chegam na Estación Poroy, cerca de 20 min de Cusco, o que dá uns 10 soles de táxi. O trajeto leva de 3h30 a 4 horas. Há ainda outras opções de rota dos trens, com paradas na estação de Ollantaytambo. Confira todos os detalhes no site da Perurail.

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Como é a alimentação na trilha inca?

 Como é a alimentação na trilha inca?                                               Dentre todas as boas surpresas (e felizmente foram muitas!) que tive na trilha inca, preciso ressaltar a alimentação. Claro que esse tópico está diretamente vinculado à agência contratada, mas tive uma experiência tão positiva que vale a pena compartilhar.

A tenda em que comíamos e compartilhávamos experiências durante a trilha.

Quando fechei o pacote  aqui no Brasil, arrisquei mencionar que não comia carne. Repeti essa informação no escritório de Cusco e ainda mais uma vez para o Hernán, nosso guia. Falava assim só por falar, mas já preparada para  ficar caçando e separando pedacinhos de carne no macarrão, comer barrinhas de cereal em todas as refeições e coisas do gênero.

Com a expectativa lá embaixo, enchi a mochila de petiscos, pois não esperava mesmo qualquer tipo de regalia. Mas não é que fui surpreendida logo de cara? Já no primeiro almoço, nosso cozinheiro havia preparado uma deliciosa sopa de quinua de entrada, além de diversos legumes cozidos, omelete, arroz e batatas de todos os tipos e cores.

Dentro das condições dificílimas para transportar a comida nas escadas íngremes de pedra dos incas, jamais esperava tamanha variedade e atenção, com versões vegetarianas de todos os pratos feitas especialmente para mim.

E havia mais boas notícias. De sobremesa, comíamos quitutes gostosos, como panquecas de doce de leite. Também ganhávamos kits com frutas e chocolates para irmos beliscando durante a trilha. E quando chegávamos no acampamento, antes do jantar, tinha lanche com bolachas variadas, pasteizinhos com açúcar e canela e até pipoca.

Na trilha inca, as refeições não eram apenas para matar a fome. Nesses momentos,  o grupo compartilhava impressões da trilha e da vida, em geral, sempre acompanhadas por um chá de coca ou outra erva nativa.

Dentre todos os pratos que provei,  confiro à sopa de quinua uma atenção especial. Muito presente na culinária andina, esse ingrediente é altamente energético, nutritivo e leve ao mesmo tempo. Acredito, de verdade, que fez toda a diferença para dar mais resistência e saúde ao grupo.

Quinua, um dos pilares da alimentação andina.

Por esse motivo, segue uma receita que encontrei no blog da Mundo Verde, uma rede de lojas naturais. Já testei e, além de muito gostosa, foi ótima para recordar as lembranças tão queridas da trilha inca. Para provar e virar fã, anote os ingredientes:

La Chica de Mochila adora: SOPA DE QUINUA

Ingredientes:

  • 3 xícaras (chá) de grãos de quinua
  • 2 cebolas
  • 1 dente de alho
  • Legumes variados (abóbora, milho, abobrinha, cenoura)
  • 3 litros de caldo de legumes
  • 2 colheres (sopa) de azeite extra virgem
  • Sal e pimenta a gosto

Preparo

  • Refogue as cebolas e o alho bem picados no azeite até dourar.
  • Junte os legumes picados em cubinhos e o caldo.
  • Cozinhe até ficar macio.
  • Adicione os grãos de quinua e cozinhe por mais 15 minutos.
  • Tempere com sal e pimenta.

O que esperar de cada dia da trilha inca?

 O que esperar de cada dia da trilha inca?                                              Um relato dos 4 dias na trilha inca:

Grupo na entrada da trilha, ruínas impressionantes logo de cara e a 1a. noite dormindo em uma barraca!

1o. dia – Data marcada, mochila pronta e o despertador toca às 05h15 da manhã, em Cusco. Não demora e a van da Kintu Expeditions passa para me pegar na pousada. Rapidamente os outros participantes do grupo – Glauber, Fabiana, Matt, Emma e Kazu – aparecem e partimos rumo à Ollantaytambo, para fazer comprinhas de última hora. Foi aqui que sabiamente adquiri meu cajado e as folhas de coca.

Seguimos então para o quilômetro 82 da ferrovia, onde fica o 1o posto de controle para apresentarmos os documentos e carimbarmos um ticket de entrada no caminho inca.  O início da trilha é suave, em chão de terra batida quase sempre plano ou com pequenas inclinações. Passamos pelas ruínas de Llactapata, almoçamos e seguimos já em uma subida mais puxada até o acampamento da 1a. noite, que fica a 3 mil metros de altitude, em Wayllabamba. Ao total são 12 km de dificuldade média. Durmo pela 1a. vez em uma barraca cercada por galinhas, um pavão e um porco. Bom, tô aqui pra ter história pra contar, né? Então tá tudo certo!!

Nosso guia aponta o trajeto desafiador do 2o. dia; bromélias emolduram a paisagem; dever cumprido no topo da montanha Warmiwañusca, a 4200m de altitude.

2o. dia – Acordo cedo com o guia dando pequenos soquinhos na barraca. Mal abro os olhos e um braço adentra a barraca com uma caneca de chá de coca fervendo. Dormir no chão duro e inclinado não é exatamente um sonho, mas estava ansiosa para o dia mais desafiador da trilha. Seriam 11 km de trekking, quase todos morro acima. Café da manhã reforçado por algumas tostadas con mantequilla. Ponho todos os agasalhos, gorros, luvas e cachecóis. Frio fora e dentro da barriga.

Nesse dia aparecem de fato as escadas incas, com seus degraus  largos e altos. O calor não tarda a aparecer, me hidrato e masco bolas de folha de coca para agüentar o tranco. Em poucos minutos vou do gorro e casaco mais quentinho para a blusa mais fininha e um rabo de cavalo alto.

Passamos por Llulluchapampa até alcançarmos Warmiwañusca, o ponto mais alto da trilha a 4200 metros acima do nível do mar. Para mim, uma verdadeira vitória! Fico estranhamente exausta e animada. Devem ser as folhas de coca.

Tagarelando sobre o grande feito de termos passado pelo ponto mais tenso da aventura, almoçamos super bem e iniciamos uma descida rumo ao acampamento em Pacaymayo. Esse lugar, em especial, é bem bacana, pois a maioria dos grupos fica perto um do outro e dá para conhecer melhor os demais viajantes. É também a noite mais fria. A 3500 metros de altitude, me enrolo no meu cobertor de emergência, visto todas as minhas roupas, confio na eficiência do meu sleeping bag. Torço para amanhecer logo.

Solzinho animador pela manhã; descida rumo à floresta tropical e aos mosquitos famintos; observatório astronômico inca.

3o. dia – Amanhece. Apesar de ser o percurso mais longo, com cerca de 16 km, sei que nada poderá ser mais desafiador do que o dia anterior. Ainda assim, a trilha começa para cima. Penso que estou arrasando, que vou fazer um trekking por semana quando voltar ao Brasil. Obviamente não foi bem assim. Mas naquele momento esse pensamento me entusiasmou.

O caminho vai ficando especialmente bonito, seja pela vegetação ou pelas ruínas de Runcuracay e Sayacmarca que vemos antes do almoço. Depois, são só descidas rumo a uma floresta tropical de altitude cada vez mais baixa. Haja joelho! Aqui aparecem os mosquitos impiedosos e duros na queda. Só com dose extra de repelente!

Chegamos então ao complexo arqueológico de Puyupatamarca. Paramos para descanso e fotos e continuamos a descer até o acampamento de Wiñaywayna, que fica a 2600 m de altitude. Por lá há uma certa infra-estrutura, com um esboço de banho e até de balada. Black Eyed Peas na trilha inca? Acho que não.

Fico em uma barraca coletiva papeando com meus companheiros de trilha. Nesse dia é legal dar uma gorjeta à equipe de carregadores. Como falo um espanhol razoável, achei válido arriscar algumas palavras e fazer um agradecimento, em nome do grupo, ao trabalho de todos.

Machu Picchu vista lá de cima e depois em close. Mais tarde, Cusqueña gelada e o merecido brinde do grupo!

4o. dia – É o dia em que se acorda mais cedo  e que menos se anda (cerca de 4km). Ainda é noite. Encontro todos os outros viajantes em uma espécie de hall do bar do camping.  A expectativa começa a crescer e vai dando uma espécie de euforia.

Quando o guia autoriza, os grupos se dirigem ao último posto de controle, que abre por volta das 06h00. As pessoas apertam o passo, em fila, na ansiedade para chegar ao Portal do Sol, entrada dos incas para a cidade de Machu Picchu.

E aí, quando você menos espera, lá está.  Desacelero. Os trilheiros vão se “empuleirando” ao redor do portal. É emocionante quando as nuvens, aos poucos, vão dando lugar à paisagem de Machu Picchu. Você se sente um pouco descobridor deste local sagrado que está lá só para você.  Chegamos, enfim!

Hernán, o guia,  faz um passeio conosco pelo complexo arqueológico. Em seguida, temos tempo livre para explorar o local como quisermos. Me impressiono com a energia do lugar, especialmente com a quantidade de flores e passarinhos. São aves azuis bem pequenas que me remetem a um ambiente mágico e realmente especial.

Na hora do almoço, desci a pé até Águas Calientes com Glauber e Fabiana. Chegando na cidade, nos juntamos ao restante do grupo para comermos nossa última refeição juntos. Truta com arroz e fritas. E uma Cusqueña, por favor! Brindamos suados e felizes com uma cerveja trincando de tão gelada.

Na despedida, lágrimas no cantos dos olhos são inevitáveis. É incrível como você se apega àquelas pessoas. Quando todos se vão, dá um vazio enorme, acompanhado pela sensação de  alegria por tudo ter dado incrivelmente certo.

Sigo novamente sozinha em direção ao meu hotel, onde havia reservado um  quarto simples, mas com cama de casal e banheiro só para mim. Tomo um dos melhores banhos quentes da vida, valorizo um shampoo como nunca antes. Dou uma voltinha pela cidade e durmo que nem pedra. Acordo às 05h00 da manhã, com o fuso horário adiantado pelos dias na trilha. Assisto um pouco de TV peruana. É uma novela engraçada. Tomo café e parto em direção à estação de trem. É hora de voltar para Cusco e encarar mais 5 semanas de viagem sozinha. Embarco feliz.

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O que levar na trilha inca?

O que levar na trilha inca?                                                                  Quando me dispus a fazer a trilha inca, sabia que seria parte fundamental desta conquista pessoal carregar meus próprios pertences.

Cajado, saco de dormir e travesseiro fazendo contrapeso com a mochila + bolsa com máquina fotográfica, folhas de coca e comidinhas energéticas.

Boa parte das pessoas, no entanto, contrata porteadores. São carregadores que levam sua mochila com roupas, saco de dormir, comida, etc… enquanto você segue com uma mini mochilinha ou pochete.

Eu, que sempre fui fracota, não entreguei os pontos. Abri mão dos supérfluos, estudei bem o que levar e carreguei numa boa os seguintes itens (divididos em uma mochila de 10 litros da Deuter e uma bolsa/pochete esportiva):

-       2 blusas de manga longa tipo dry fit. Não pesa nem ocupa espaço!

-       2 blusas de manga curta tipo dry fit

-       1 jaqueta Lafuma LD Lane impermeável, corta-vento e bem ventilada. O legal é que dá pra dobrar bem e ocupa pouco espaço na mochila

-       1 casaco tipo polar/ sleece

-       1 calça de tactel, daquelas com zíper que viram shorts

-       1 blusa segunda pele da Curtlo, que retém calor e transporta o suor para fora do corpo

-       1 calça segunda pele da Curtlo

-       1 bota Salomon Fast Packer GTX Feminino – Melhor investimento!

-   3 pares de meia Lorpen especiais para trekking (2 mais finas, 1 mais grossa. Bem caras, mas valem cada centavo. Não tive nem sinal de bolha!)

-       1 cachecol

-       1 luva

-       1 gorro

-        1 capa de chuva

-       1 garrafa térmica de 1 litro + pastilhas purificadoras para a água

-       Estojo de remédios

-       Repelente

-       Capa de chuva

-       Lanterna

-      Óculos escuros

-      Filtro solar

-       Desodorante

-     Pasta e escova de dente

-       Lenços umedecidos, que foram o meu “banho” por alguns dias.

-      Papel higiênico.

-       Roupa íntima

-       Barras de cereal, castanhas do Pará, folhas de coca e gel energético

-       Máquina fotográfica

-      Cobertor de emergência. Parece 1 folha de alumínio que fica dobrada e ocupa um espaço mínimo. Fez toda a diferença na 2a. noite, que é a mais fria.

-       Saco de dormir Lafuma Extreme 650. Super leve e compacto.

-    Isolante térmico para o saco de dormir. A agência me emprestou. É leve e consegui amarrar numa boa em uns ganchos da mochila.

-      Cajado. Comprei um roots em Ollantaytambo e foi fundamental. Sem ele teria sido impossível passar pelos quase 9km (!) de subida do segundo dia.

Apesar de parecerem muitos itens, note que você estará vestindo boa parte disso tudo naquele esquema “cebola”. São várias camadas que dá para tirar e acrescentar conforme a temperatura vai mudando.

Uma boa dica para comprar esses produtos é fazer uma visita às lojas especializadas, como a Casa de Pedra, a Mundo Terra e a 100% Aventura, para quem mora em São Paulo. Os sites são úteis para fazer pesquisa de preço, mas nada substitui a assistência de um vendedor experiente que ainda te brinda com alguns bons conselhos de trekking e aventura.

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