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Rota Salar de Uyuni – 2o. dia: Lagoas altiplânicas e deserto de Siloli

No segundo dia do percurso, acordei um tanto cansada. A minha primeira noite acima dos 4 mil metros de altitude foi de sono muito leve e sonhos confusos. Nada que um chá de coca e um dia ensolarado pela frente não resolvesse.

Flamingos de longe e de perto na lagoa colorada

Antes das 09h00, partirmos para a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa em direção à laguna colorada que, originalmente, é visitada no 1o. dia, mas tivemos que adiar em virtude do vento excessivo. Pela manhã, com as temperaturas mais amenas, pudemos conhecer com calma um dos cenários mais bonitos da província de Sud Lípez. A lagoa é habitada por mais de 30 mil flamingos de diferentes espécies e vê-los livremente em seu habitat natural foi o ponto alto do meu dia.

O guia nos contou que a cor avermelhada das águas deve-se ao sedimento depositado pelas algas. E que os flamingos adquirem essa mesma coloração por alimentarem-se dessa vegetação, já que originalmente eles nascem acinzentados.

Deserto de Siloli

Árvore de pedra no deserto de Siloli

Fotos com flamingo pra cá, fotos com flamingos pra lá, entramos novamente no carro e seguimos viagem passando pelo deserto de Siloli, onde vimos a intrigante árvore de pedra. Trata-se de uma formação rochosa lapidada pela milenar erosão do vento.

Mais flamingos na laguna Honda

Em seguida, visitamos as lagoas altiplânicas Honda, Chiarcota e Cañapa. Aqui, o mais legal é ficar atento à fauna local. Além de mais flamingos, meu grupo avistou raposas e vicuñas – a parente selvagem da llama.

Eu, Betina e Izabel. Ao fundo, vulcão em atividade expele fumaça.

Ainda no meio do caminho paramos para observar, ao longe, um vulcão em atividade. Foi uma delícia esticar as pernas, bater um papo e tomar um solzinho com esse visual de pano de fundo.

Fechamos o dia no povoado de San Juan, onde fica o hotel de sal de propriedade da agência Cordillera. Na entrada da cidade, paramos em uma vendinha e nos abastecemos com algumas bolachas, folhas de coca, vinho e cerveja.

Paredes e cama feitas de sal no hotel em San Juan. A foto está sem foco, mas é só pra mostrar os blocos de sal ;)

O mais bacana do hotel é que toda sua estrutura (paredes, cama, mesa, bancos) é feita de blocos de sal. Ainda há o bônus dos quartos serem para 2 ou 3 pessoas e o banheiro (coletivo) ter chuveiro com água quente. Bom, “água quente” é um pouco de otimismo, já que a temperatura oscila muito e mesmo a água dura por um tempo determinado. Dica preciosa: esteja entre os primeiros a tomar banho!

No fim da noite, após o jantar, um grupo de garotos bolivianos fez um número com músicas típicas. Nunca sei como me sentir diante desse tipo de manifestação, especialmente com crianças.  Fico dividida. Eles tem prazer no que fazem? Estão lá por obrigação?  Na dúvida, assisto ao show com todo meu respeito.

Na sequência, um grupo de turistas europeus se reuniu em torno de um iPod para fazer uma festinha ao som de Katy Perry, Lady Gaga e Black Eyed Peas. Me senti como se a vida, em geral, tivesse entrado no modo “shuffle”. Muitas vezes a globalização é legal e tal, mas preferi acreditar que aquelas crianças realmente davam valor às suas raízes, que o mundo ainda tinha peculiaridades e que nada combinava menos com o povoado boliviano de San Juan do que a música “poker face”. Fui dormir. Melhor assim.

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