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Sucre e tudo que amei na ciudad blanca da Bolívia

Há alguns meses fiz um post sobre La Paz, declarando o quanto eu acredito que mais pessoas podiam abandonar preconceitos e visitar a Bolívia. Hoje, resolvi escrever sobre Sucre, o coração simbólico da nação. Isso porque, apesar do governo ter se mudado para La Paz no final do século 19,  na constituição a cidade continua a ser considerada capital do país. Foi aqui, inclusive, que proclamaram a independência da Bolívia.

Eu poderia tentar me alongar nas explicações históricas, afinal a cidade é patrimônico histórico da Unesco, mas confesso que o que ficou na minha mente foi mais um registro visual e afetivo, uma vontade de contar pros outros “Ei, você precisa conhecer Sucre!”. Pra começar, algumas fotos:

Catedral de Sucre

Rua do centro histórico

Fachada do Convento San Felipe Neri

O centro histórico de Sucre é ou não é uma graça? Tem ainda canteiros de flores bem cuidados, senhores tranqüilos batendo papo na praça e estudantes ziguezagueando com suas mochilas pelas transversais. Os casarões coloniais estão bem preservados e abrigam belos pátios internos. Os conventos, igrejas e museus centenários são todos brancos, o que dá um charme especial ao local. Aliás, Sucre é conhecida como ciudad blanca e quem pintar a casa de uma cor escura pode até ser multado pela prefeitura.

Tem também duas outras características da cidade que me cativaram de vez. A primeira é que Sucre é famosa pelo seu chocolate e abriga dezenas de docerias, como a deliciosa Para Ti . Uma barrinha de chocolate com quinua e um café são a pedida certa no fim de tarde. A segunda é que a cidade tem o Museu de Artes Indígenas, um passeio imperdível que resgata as raízes dos povos Jalq’a e Tarabuco através dos desenhos, cores e técnicas apuradíssimas de seus artesanatos. São trabalhos preciosos que traduzem parte importante da cultura indígena de ontem e hoje na América Latina.

Artesã em seu tear – Museu de Artes Indígenas

Lado a lado: trabalhos da cultura Tarabuco e Jalq’a/ Foto: http://www.incapallay.org

No museu é possível ver as artesãs em ação e também comprar peças que seguem o modelo de comércio justo, onde a maior parte do valor de venda vai para o produtor. Ainda sobre esse assunto, aos domingos (se programe para estar em Sucre nesse dia), tem a célebre feira de Tarabuco. E lá fui eu, a procura de ‘artesanatos com alma’, pegar a van de 1 hora até a cidade.  Existem inúmeras excursões, mas ir de transporte público, trocando uma idéia com os simpáticos nativos, é uma experiência muito bacana e autêntica.

Praça central e tecidos coloridos na feira de Tarabuco

Cachorro de olho no sorvete. Cenas de um domingo na feira de Tarabuco.

Na feira vale afiar o olhar. No meio de artigos industrializados, há peças raras  e  originais feitas em teares manuais da cultura Tarabuco. É quase uma missão arqueológica separar o joio do trigo, mas depois da visita ao Museu de Artes Indígenas você vira quase um especialista!

>>> Pra mim esse tipo de artigo tem status de relíquia, então costumo insistir bastante no tema, como já deve ter dado pra perceber ;)

Mas voltando a Sucre, e aos passeios pelo centro histórico, indico o Museo de La Catedral, onde fica a linda capela da Virgem de Guadalupe, a reluzente e dourada igreja Nuestra Senora de La Merced e o Convento San Felipe Neri, que tem um terraço maravilhoso com vista imperdível da cidade. Vale também bater perna pelo Mercado Central.

Lindo terraço do Convento San Felipe Neri

Para comer, acabei comprando coisas no supermercado SAS e cozinhando na pousada Wasi Masi, uma hospedagem com excelente custo benefício. Também almocei duas vezes no vegetariano El Gérmen, que é gostoso e baratíssimo.

O que mais dizer sobre Sucre? Que é a cidade mais segura da Bolívia, a mais bela, que é um centro de aprendizado que atrai estudantes de diversos países? Enfim, Sucre é tipo um amigo legal que você quer apresentar pra todo mundo, sabe?

Inclua a cidade no seu roteiro e depois não deixe de me contar suas impressões. Para chegar lá, são 15 horas de ônibus a partir de La Paz, 3 horas de Potosí, 12 horas de Cochabamba e 9 horas de Uyuni (com uma troca de ônibus em Potosí).

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La Paz, a caótica e encantadora capital da Bolívia

Devo dizer que La Paz  não me ganhou no primeiro dia, mas me arrebatou no segundo. Explico: assim que desembarquei na rodoviária, foi impossível ignorar que a capital federal e maior cidade da Bolívia crescia desordenadamente emoldurada por um mar de favelas. Sem falar no fuzuê de buzinas e na correria das ruas ocupadas por executivos, indígenas e turistas.

La Paz imensa: crescimento desordenado avança sobre montanhas da cidade.

Já no dia seguinte, respirei fundo, peguei minha mochila e resolvi encarar os arredores da famosa avenida Mariscal Santa Cruz. Foi um dia cansativo, que me levou até a Plaza Murillo. Sentada na escadaria da praça,  em frente a Catedral, comecei, finalmente, a reparar. Observei primeiro as cholas (como popularmente são chamadas as nativas indígenas) e como elas trajavam com orgulho sua saia e chapéu típicos – sem serem uma caricatura de si próprias. Depois, chamou minha atenção o fato de que, mesmo vivendo em uma notável pobreza econômica, não vi crianças mendigando esmolas aos turistas ou sob efeito de entorpecentes (o que, infelizmente, é comum onde moro em SP). Havia ainda as praças e vias públicas que guardavam jardins floridos e bem conservados.

Cholas circulam pela Plaza Murillo. Ao fundo, a Catedral.

Fiquei particularmente tocada ao me deparar com um cenário em que escassez de recursos não está necessariamente relacionada à violência urbana. Alguns dirão que a população indígena de La Paz é resignada, explorada e ingênua. Outros podem pensar que eu não andei por todos os becos e periferias para compreender os graves problemas sociais da cidade. E qualquer um desses argumentos talvez seja válido. Mas viagem, pra mim, é uma experiência mais sensorial do que racional. E ao ver o orgulho daqueles que, a despeito de todo o progresso, perpetuam os valores de seus ancestrais, me emocionei de verdade. Nunca esquecerei do que senti na caótica, sufocante, confusa e, paradoxalmente, encantadora La Paz.

Vai lá:

Conheço várias pessoas que mal puseram os pés em La Paz e partiram para a rodoviária ou o aeroporto, decididos a zarpar rapidamente “desse lugar feio”. Naquela boa e velha idéia de não julgar o livro pela capa, aconselho o turista mais reticente a dar uma chance e dedicar ao menos 3 dias à cidade. Abaixo, listo mais 9 motivos para isso (e  3 ciladas a serem evitadas).

1)   Centro da cidade: Visite a bela Catedral construída em uma ladeira ao lado do Palácio Presidencial. Bem em frente, passe algum tempo observando o movimento da Praça Murillo, onde cholas costumam se reunir para dar milho as pombas e colocar a conversa em dia. A Iglesia San Francisco também vale a visita.

Charme colonial dos museus da Calle Jaen.

2)   Calle Jaen: Esta rua super charmosa, com arquitetura colonial, abriga quatro museus (Casa de Murillo, Costumbrista Juan de Vargas, Del Litoral e Metales Preciosos). Eles contam parte da história de La Paz e, como são pequenos, podem ser facilmente visitados em algumas horas. Além disso, a rua tem lojas e bares interessantes.

3)   Lojas de comércio justo e solidário. Não deixe de visitar as lojas Ayni (C. Illampu, 704) e Artesanía Sorata (C. Sagérnaga, 363), onde é possível encontrar artigos preciosos feitos a mão, conhecer a história de cada povoado indígena e, o mais importante, remunerar justamente os artesãos e incentivar a manutenção da cultura local.

4)   Lojas de esporte de aventura: Boa dica para os viajantes que pretendem fazer trilhas e outros esportes outdoor, as lojas da Calle Illampu valem a visita pelos preços ao menos 30% mais baratos do que no Brasil. Andean Base Camp e Tatoo estão entre as mais completas e conhecidas.

Visita obrigatória: mercado de feitiçaria.

5)   Mercado de Feitiçaria: Diariamente, entre as ruas Jimenez e Linares, fetos de llama secos, amuletos, poções e outros balangandãs são comercializados em tendas nas calçadas. Peça uma explicação breve e leve ao menos uma escultura pequena da Pachamama, deusa protetora conhecida como “mãe terra”.

6)   Downhill pela estrada da morte até Coroico. Trata-se de uma descida de bicicleta muito popular e feita, geralmente, em 1 dia. Apesar de várias empresas oferecerem o tour, é fundamental fazer uma boa pesquisa e não economizar no quesito segurança e confiabilidade. O preço do passeio gira em torno de 600 bolivianos e está sujeito às condições climáticas, sendo suspenso em caso de chuva ou neve. B-Side e Gravity são empresas bem recomendadas

Templo religioso em Tiwanaku.

7)   Tiwanaku. Passeio imperdível às ruínas da civilização Tiwanaku (600 A.C.), antecessora dos incas. Parece que você mergulhou em uma daquelas páginas incríveis da revista National Geographic! O passeio, oferecido por todas as agências, inclui transporte, visita guiada ao centro religioso e aos museus que abrigam antigas e novas descobertas das escavações que até hoje são feitas na região. Destaque para o monolito Bennetto Pachamama, com mais de 7 metros de altura!

8)   Miradores. Não perca a chance de conferir La Paz vista de cima. Um mirador que você pode ir a pé, caminhando com pequenas paradas para recuperar o fôlego, é o Laikakota. Fica em um Parque que, de quebra, tem vista para a bonita formação rochosa do Valle de la luna.

9)   Peña. Se você fosse gringo e estivesse no Rio, iria em um samba na Lapa. Como você é gringo em La Paz, vá a uma peña! Uma boa opção é a Marka Tambo (Calle Jaén 710).

Fuja:

1)   Água e comida de procedência minimamente duvidosa. Vai na minha: em La Paz essa dica vale ouro. Se tem um lugar onde os viajantes passam mal do estômago, é na Bolívia. Pergunte sempre se a água é mineral, procure provar os pratos típicos em restaurantes conhecidos (com o câmbio a nossa favor, nunca será caro demais!), se quiser comprar petiscos, prefira os industrializados.

2)   Lugares feitos exclusivamente por e para gringos.  Algo que me irritou em La Paz: a apropriação dos gringos nas atividades turísticas. Por várias vezes fui atendida exclusivamente em inglês e recebi olhares espantosos quando preferi me comunicar em espanhol. Estou louca ou comprei uma passagem para La Paz, Bolívia, América do Sul?

3)   Andar como se não houvesse amanhã. Então você chega em La Paz e se sente um super herói porque “nem tá sentindo essa tal de altitude”. A cidade é grande, cheia de ladeiras, mas vamos lá! Aham… até a paisagem começar a rodar a sua volta e você sentar exausto na calçada. Não caia nessa, se hidrate bem, modere os esforços físicos e reserve ao menos um dia para se aclimatar. Se precisar, economize as pernas e peça para o recepcionista do hotel chamar um taxi de uma frota confiável.

La Paz – Modo de Fazer

Moradores de El Alto, bairro periférico e de maioria indígena em La Paz.

Como chegar:

Aerosur, Taca, Avianca e LAN são algumas da companias aéreas que te levam, com uma escala, de São Paulo até La Paz. No quesito preço, a boliviana Aerosur é imbatível e tem passagens, ida e volta, a partir de USD 325*, mais taxas. No aeroporto, pegue um taxi por cerca de 30 bolivianos para percorrer os 10 km até o centro da cidade.

De ônibus, existem saídas diárias para La Paz partindo das principais cidades bolivianas. Para viagens longas e ônibus noturnos, se informe sobre empresas voltadas a turistas para garantir o mínimo de conforto durante o trajeto. (Não é frescura, as estradas na Bolívia são precárias e muitos veículos não possuem banheiro, cobertor ou assento reclinável).

Onde ficar:

Fiquei no Hostal Provenzal, um 3 estrelas simples, mas simpático e bem localizado na Calle Murillo. Hoje, um quarto single com banheiro e TV sai por $110 bs*.

Para quem busca conforto, staff gentil e bem treinado e um bom restaurante, o Hotel Rosário é a melhor pedida a partir de $420* bolivianos a diária, em um quarto para solteiro.

Onde comer:

Sei que é uma delícia experimentar quitutes típicos pelas ruas e mercados de uma cidade que visitamos. No entanto, desaconselho fazer isso em La Paz, onde a água, especialmente, pode trazer bactérias as quais nosso organismo não está acostumado.

Para não abrir mão nem da culinária nem da saúde, vá ao Tambo Colonial, que fica dentro do Hotel Rosário e irá te custar algo entre 10 e 15 dólares*. Para experimentar uma autêntica salteña, visite o super econômico Paceña La Salteña.

*Preços pesquisados em outubro de 2011.

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Rota Salar de Uyuni – Visitando o Salar e chegando em Uyuni no 3o. e último dia.

No último dia de percurso, pulei da cama motivada para o aguardado destino final, o Salar de Uyuni. A atração é a primeira da lista e não demorou para meus olhos ficarem totalmente ofuscados pelo reflexo do sol na imensidão de sal. Aqui, óculos escuros e protetor solar são fundamentais.

Caminhando pelo Salar. Paisagem linda e única!

São 12.000 kilometros quadrados de um cenário absolutamente contrastante, metade branco, metade azul. Como eu fui no inverno, o chão estava todo craquelado, formando um desenho lindo. Na  época de chuva, no verão, entre dezembro e fevereiro, uma fina camada de água atua como um espelho gigante, garantindo também um cenário surpreendente.

Detalhe do solo.

Um dos grandes clichês do Salar são as foto montagens, que brincam com a perspectiva. No começo achei bobo, mas depois lá estava eu sucumbindo a brincadeira e me divertindo horrores!

Betina, Sophie e eu nas mãos do Roberto. Foto montagem tão brega quanto inevitável!

A segunda parada, ainda dentro do Salar, foi a ilha Incahuasi, também conhecida como Isla del Pescado. O local tem cactus gigantes, como esses da foto:

Cactus gigantes em Incahuasi

Aqui, almocei arroz, batata e vegetais (tinha carne também, mas sou vegetariana). Vale ressaltar que é o próprio motorista que desempenha o papel de cozinheiro, além de guia.

Roberto, Sophie, Betina, Bel e nosso almoço na Isla Incahuasi.

Em seguida, passamos pelo antigo hotel de sal, pioneiro na região, e continuamos em direção ao vilarejo de Colchani, observando o trabalho dos extratores de sal. Lá, visitamos lojas de artesanatos feitos de sal, uma fonte de renda importante para os nativos. Percorremos mais 19km e, pouco antes de chegarmos a cidade boliviana de Uyuni, passamos pelo Cemitério de Trem, onde estão algumas carcaças abandonadas. Meio trash, para falar a verdade.

Cemitério de trens

A essa altura, o tour já estava próximo do fim. Dali 1 km chegamos na sede da agência Cordillera Traveler, em Uyuni, onde me despedi dos companheiros de percurso. Para quem viaja sozinha, como eu, dá sempre um aperto no coração nessa hora. Mas esse processo de conhecer, se apegar, compartilhar ótimos momentos e depois, inevitavelmente, ter que se afastar é uma ótima metáfora para a vida, em geral. Lidar com a impermanência das relações, mesmo que no modo “fast”, como no caso de um tour de 3 dias, era parte importante do aprendizado que eu buscava nessa viagem. Entonces, vamo que vamo!

Uyuni

Pelo pouco que vi de Uyuni, e também li nos guias, sabia que o melhor negócio era zarpar da cidade no mesmo dia. Sendo assim, logo fui me informar sobre os ônibus, que ficam concentrados atrás da igreja principal da cidade, no fim da Av. Arce.

Considerando os principais destinos, existem saídas diárias para Oruro (conexão para quem vai a La Paz), Potosí, Sucre e Tapiza. Uma dica aqui é garantir sua passagem o quanto antes, para não correr o risco de ficar sem lugar no ônibus. Comprei a minha para Sucre, partindo às 19h00.  Foi uma viagem noturna de 11 horas de duração, no frio, em estradas mal conservadas e sem banheiro no veículo. Roubada? Nem tanto, podia ser pior! Mas isso é relato para um  próximo post.

Por hora, achei legal separar algumas dicas rápidas sobre Uyuni, caso seu ônibus saia só no dia seguinte ou por algum motivo você tenha que pernoitar por lá.

Onde ficar:

Hostal Marith – Albergue com melhor custo-benefício, a diária sai por cerca de 50 bolivianos por pessoa. Super procurado pelos mochileiros, possui áreas comuns que favorecem a interatividade entre os viajantes. Fica na Av. Potosí, 61.

Toñito Hotel – Com um pouco mais de conforto, um quarto duplo vale em torno de 300 bolivianos. Vantagens como água quente, wi-fi e bom restaurante fazem do Toñito um dos hotéis mais procurados da cidade. Reserve com antecedência. Fica na Av. Ferroviária, 60.

Los Girasoles Hotel – Provavelmente uma das hospedagens mais requintadas de Uyuni. No Los Girasoles, a diária para um casal beira os 500 bolivianos. Não espere nenhum 5 estrelas, mas camas confortáveis e visual agradável atraem os turistas mais exigentes. Localizado na Rua Sta Cruz,  155. Não achei o site, então segue o e-mail: girasoleshotel@hotmail.com

Onde comer:

Em Uyuni, achei as pizzas uma pedida prática, gostosa e sem muito erro. Duas sugestões são o restaurante Arco Iris, que fica na principal via da cidade, a Av. Arce, 27, e o Minuteman Revolutionary Pizza, que fica no Hotel Toñito.

Em ambos, espere gastar em torno de 35/40 bolivianos, pois os preços são para turistas.

Câmbio em Uyuni:

Quando os jipes da Cordillera chegaram em Uyuni, vários turistas ficaram a ver navios, pois o único caixa para sacar dinheiro (ATM) estava fora de serviço.  Conversei com os moradores e constatei que essa situação é pra lá de comum. Por isso, não venha despreparado. Chegue com alguns pesos bolivianos ou vá até uma casa de câmbio na Av. Potosí, onde você pode trocar dólares e pesos chilenos e argentinos até mesmo aos domingos.

Saindo da cidade de trem:

Não tenho informações detalhadas, mas sei que saem trens para as cidades bolivianas de Oruro, Tupiza e Villazón em horários e dias da semana específicos. Há ainda um trem internacional com destino a Calama, no Chile.  Na alta temporada, alguns trechos se esgotam rapidamente. Por esse motivo, compre seu bilhete com antecedência na estação de trem, que fica no começo da Av. Arce, próximo à praça. Outra alternativa é tentar garantir sua passagem em agências de viagem.

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Rota Salar de Uyuni – 2o. dia: Lagoas altiplânicas e deserto de Siloli

No segundo dia do percurso, acordei um tanto cansada. A minha primeira noite acima dos 4 mil metros de altitude foi de sono muito leve e sonhos confusos. Nada que um chá de coca e um dia ensolarado pela frente não resolvesse.

Flamingos de longe e de perto na lagoa colorada

Antes das 09h00, partirmos para a Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa em direção à laguna colorada que, originalmente, é visitada no 1o. dia, mas tivemos que adiar em virtude do vento excessivo. Pela manhã, com as temperaturas mais amenas, pudemos conhecer com calma um dos cenários mais bonitos da província de Sud Lípez. A lagoa é habitada por mais de 30 mil flamingos de diferentes espécies e vê-los livremente em seu habitat natural foi o ponto alto do meu dia.

O guia nos contou que a cor avermelhada das águas deve-se ao sedimento depositado pelas algas. E que os flamingos adquirem essa mesma coloração por alimentarem-se dessa vegetação, já que originalmente eles nascem acinzentados.

Deserto de Siloli

Árvore de pedra no deserto de Siloli

Fotos com flamingo pra cá, fotos com flamingos pra lá, entramos novamente no carro e seguimos viagem passando pelo deserto de Siloli, onde vimos a intrigante árvore de pedra. Trata-se de uma formação rochosa lapidada pela milenar erosão do vento.

Mais flamingos na laguna Honda

Em seguida, visitamos as lagoas altiplânicas Honda, Chiarcota e Cañapa. Aqui, o mais legal é ficar atento à fauna local. Além de mais flamingos, meu grupo avistou raposas e vicuñas – a parente selvagem da llama.

Eu, Betina e Izabel. Ao fundo, vulcão em atividade expele fumaça.

Ainda no meio do caminho paramos para observar, ao longe, um vulcão em atividade. Foi uma delícia esticar as pernas, bater um papo e tomar um solzinho com esse visual de pano de fundo.

Fechamos o dia no povoado de San Juan, onde fica o hotel de sal de propriedade da agência Cordillera. Na entrada da cidade, paramos em uma vendinha e nos abastecemos com algumas bolachas, folhas de coca, vinho e cerveja.

Paredes e cama feitas de sal no hotel em San Juan. A foto está sem foco, mas é só pra mostrar os blocos de sal ;)

O mais bacana do hotel é que toda sua estrutura (paredes, cama, mesa, bancos) é feita de blocos de sal. Ainda há o bônus dos quartos serem para 2 ou 3 pessoas e o banheiro (coletivo) ter chuveiro com água quente. Bom, “água quente” é um pouco de otimismo, já que a temperatura oscila muito e mesmo a água dura por um tempo determinado. Dica preciosa: esteja entre os primeiros a tomar banho!

No fim da noite, após o jantar, um grupo de garotos bolivianos fez um número com músicas típicas. Nunca sei como me sentir diante desse tipo de manifestação, especialmente com crianças.  Fico dividida. Eles tem prazer no que fazem? Estão lá por obrigação?  Na dúvida, assisto ao show com todo meu respeito.

Na sequência, um grupo de turistas europeus se reuniu em torno de um iPod para fazer uma festinha ao som de Katy Perry, Lady Gaga e Black Eyed Peas. Me senti como se a vida, em geral, tivesse entrado no modo “shuffle”. Muitas vezes a globalização é legal e tal, mas preferi acreditar que aquelas crianças realmente davam valor às suas raízes, que o mundo ainda tinha peculiaridades e que nada combinava menos com o povoado boliviano de San Juan do que a música “poker face”. Fui dormir. Melhor assim.

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Rota Salar de Uyuni – Escolha da agência, preparativos e primeiro dia na estrada

Dentre os vários passeios com destino ao Salar de Uyuni, optei pela travessia que saía do Chile, de San Pedro do Atacama, e terminava na cidade boliviana de Uyuni. Esse pacote, que acredito ser um dos mais completos e tradicionais, dura 3 dias.

Na hora de escolher a agência, fiz uma pesquisa cuidadosa. Isso porque  haviam me alertado sobre carros muito velhos que quebravam a todo instante e até mesmo motoristas irresponsáveis que dirigiam alcoolizados. Após essa busca, fechei com a Cordillera Traveler por USD 130,00 (hoje sai por USD160,00 – estadia e refeições inclusas). A operadora, que foi a mais bem recomendada, faz a rota há muitos anos e é administrada por uma família boliviana.

Jipes 4x4 da Cordillera Traveler e posto de imigração boliviano.

Na noite anterior a partida, comprei um galão de 5 litros de água (imprescindível levar sua própria água potável) e alguns petiscos, como chocolates e bolachas para comer no caminho. Dormi cedo e acordei às 07h00 para pegar uma van na sede da agência. De lá,  seguimos até a fronteira, onde mostramos o passaporte no posto de controle chileno e, em seguida, no boliviano. Ali, tomamos café da manhã e os turistas foram divididos em veículos 4×4, com até 6 pessoas, fora o guia.

Lembrando os mais exigentes que são jipes antigos, que sacolejam e não tem ar-condicionado. Outro detalhe é a trilha sonora, uma única fita cassete que toca música típica boliviana no modo “repeat” durante os 3 dias. No início, achei engraçado e até bem-vindo para me integrar à cultura local. Depois da quinta execução de “Mi palomita querida”, devo confessar que tive gana de pular pela janela. Então, já sabe, carregue bem a bateria do seu iPod para não surtar.

Continuando. No meu grupo, fomos apenas em 5 passageiros, sendo que todos os companheiros de viagem, 1 alemã, 2 francesas e 1 italiano, eram super bacanas. Aqui é sorte mesmo, pois a convivência é intensa durante o percurso.

Detalhe do gelo na borda da lagoa branca e vento forte na hora da foto na lagoa verde.

Partimos então rumo às belas lagoas verde e branca, que ficam bem próximas ao vulcão Licancabur. Alguns pássaros, semelhantes a pequenas gaivotas, flutuavam nas suas águas congelantes,  onde é possível se aproximar apenas até uma crosta de gelo e sal. Nadar, molhar o pé, etc, nem pensar!

Deserto de Dali e termas de Chalviri.

Voltamos ao carro e o cenário começou a se modificar. Surgiram  montanhas beges e alaranjadas e pedras enormes que deram o nome de Deserto de Dalí à região, uma alusão aos quadros surrealistas do pintor catalão. Alguns dizem que o local realmente foi sua fonte de inspiração. Lenda que uma parte de mim gosta de acreditar.

Mais adiante, paramos na piscina natural de Chalviri onde, em meio ao frio e ao vento intensos, alguns turistas se banharam nas suas águas termais quentinhas. Se preferir, vá com roupa de banho por baixo.

Vimos ainda os geyseres Sol de Mañana, que expeliam fumaças em um campo geotérmico interessante, embora bem menos impactante do que o El Tatio, do Atacama, sobre o qual escrevi anteriormente nesse post.

Vista do albergue, lanche da tarde com meus companheiros de viagem e llama caminhando em frente a nossa janela.

O dia terminou em um albergue próximo à lagoa colorada. A hospedagem, que é exclusiva da agência Cordillera, era simples, sem chuveiro (leve lenços umedecidos), com quartos e banheiro compartilhados, mas bastante acolhedora. Lanchamos bolacha maizena com chá de coca, jantamos salada, sopa e macarrão e fizemos uma festinha com os grupos que viajavam em outros jipes. Teve até direito a cerveja Paceña, vendida lá mesmo.

A noite chegou acompanhada por um frio cruel, pois tratava-se de um terreno descampado a 4.500 metros de altitude! Para se ter uma idéia, as janelas do meu quarto ficaram cobertas, do lado de fora, por uma camada de gelo! Por isso, roupa quente e saco de dormir, para reforçar o cobertor, são fundamentais. Sobretudo para quem for no inverno, entre junho e agosto, como foi o meu caso.

>>> Amanhã, tem mais um post sobre o segundo dia da rota rumo ao Salar de Uyuni. É nesse dia que ficamos bem perto dos flamingos, na laguna colorada. Imperdível!

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Semana Salar de Uyuni – Paisagens surpreendentes na fronteira entre Chile e Bolívia.

Proponho um exercício. Feche os olhos e pense no seu repertório mental de belezas naturais. O meu, por exemplo, é composto quase que exclusivamente por paisagens tropicais, vindas das longas férias de verão que passei nas praias de Ubatuba, litoral norte de São Paulo, durante a infância e adolescência.

Tenho um mundo de referências que aprendi a amar com muita água salgada, mata atlântica, garças, gaivotas, caranguejos, robalos, bem-te-vis e mamangavas.

Sem mar nem floresta, aprendi a admirar paisagens como a laguna blanca.

Levanto esse assunto para ressaltar o quanto a viagem ao Salar de Uyuni agregou a minha biblioteca imagética, até então monotemática. Foi nesse passeio em que percebi o quanto viajar é uma delícia não só para conhecer pessoas, vivenciar outras culturas, aprender um idioma e saber mais sobre nós mesmos, mas também para sermos tocados por cenários completamente diferentes dos quais estamos habituados. Para refrescarmos nosso olhar e voltarmos mais criativos e inspirados. Coisa que nenhum curso de férias em alguma escola de marketing faz por você. Acredite em mim.

Nesse caso de encantamento específico, me refiro às paisagens desérticas, onde o poder da natureza parece se manifestar de maneira plácida e, ao mesmo tempo, heróica. Para contar mais sobre essa experiência, divido nos próximos posts um pouco da minha viagem rumo ao Salar de Uyuni, torcendo para que você se empolgue e também faça essa rota. Se já foi, comente suas impressões, pois vou adorar compartilhar idéias sobre esse tema!

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Copacabana e Ilha do Sol – Onde o Lago Titicaca é mais azul


Lembro de quando incluí a Ilha do Sol na minha viagem pela América do Sul. Estava lendo um guia de viagens e fiquei fascinada com o lugar. Metade lenda, metade fatos concretos, acredita-se que a origem da civilização inca tenha se dado ali, quando Manco Capac e Mama Oclo, que eram irmãos e também um casal, emergiram das águas do Titicaca.

Alguns meses depois, com o roteiro definido e o pé na estrada, parti de La Paz rumo à Copacabana, cidade base para quem vai à Ilha do Sol. O que eu não esperava era alcançar esse destino após um misto de gripe e intoxicação alimentar que haviam me derrubado. E foi assim, sem um pingo de pique, que eu cheguei na pousada La Cupula.

Vista panorâmica do hotel La Cupula

 Minha sorte é que, além de muito charmosa, a hospedagem tinha um jardim com redes e uma vista panorâmica revigorante. Passei metade do dia ali, recarregando as forças. Assim que me senti melhor, levantei e resolvi explorar o local.

Praia e Catedral em Copacabana

Desci até a margem do Lago e caminhei no fim de tarde pela “praia” de Copacabana. Conheci ainda a bela Catedral da cidade , colorida pelos seus azulejos portugueses, e só pulei o passeio ao mirante do Cerro Calvário, para poupar energias para o dia seguinte.  Quem quiser ampliar o roteiro, ainda pode ir ao observatório astronômico Horca del Inca.

Copacabana – Isla del Sol

No dia seguinte, às 08h30, fui para a orla e peguei um dos vários barcos que fazem o trajeto rumo ao povoado de Yumani. Lá está a maior concentração de hotéis e restaurantes da Ilha do Sol.

Aqui, cabe uma dica fundamental: Fique ao menos 1 noite na Ilha do Sol. Sendo assim, leve uma mochila com uma muda de roupa, deixando o restante da mala no hotel de Copacabana. Isso porque a escada de pedras incas que você terá que encarar para acessar o vilarejo de Yumani, somada à altitude de 4 mil metros, torna a empreitada muito desgastante.

Vento e frio no caminho para a Isla del Sol. Chá de coca na chegada ao hotel Palla Khasa.

Chegando ao hotel,  o Palla Khasa, recuperei o pouco fôlego que me restou tomando um chá de coca e lá pela 1 da tarde tive que fazer uma escolha crucial: iniciar a trilha de 5 horas (ida e volta) mesmo muito cansada ou me contentar com as paisagens que tinha visto até o momento. Isso porque faria o caminho até o norte da ilha sozinha e deveria voltar antes de anoitecer, é claro.

A trilha rumo ao norte: Yumani  – Cha’llapampa.

Para não morrer de arrependimento, pois havia separado apenas uma noite por lá, resolvi tomar a atitude nem tão prudente de fazer a trilha sem margem para atrasos ou imprevistos. Vesti camiseta dry fit, casaco tipo sleece, uma jaqueta corta vento, calça segunda pele, calça esportiva e ainda levei cachecol, luva e gorro, pois apesar do dia lindo e ensolarado faz muito frio por causa dos fortes ventos e da altitude elevada.

Trilha rumo a Cha’llapampa

Seguindo rumo a Cha’llapampa, encontrei boa parte das pessoas já voltando da caminhada.  Se por um lado fiquei com medo de anoitecer e ficar perdida na trilha, por outro lado fiquei totalmente anestesiada pelo visual estonteante do lugar com uma vegetação amarela e verde contrastando com o azul profundo do lago, os moradores nativos interagindo com os animais e o melhor: o silêncio absoluto. Silêncio que uma paulistana como eu está tão pouco habituada a presenciar.

Nunca meditei na vida, mas acho que encontrei meu ponto de equilíbrio fazendo essa trilha. Em meio ao cansaço físico extremo, minha mente despertou para uma quantidade de reflexões que acredito não serem possíveis nem em uma década de terapia.

Ruínas e volta da trilha de Cha’llapampa

Mas o sol já estava mais baixo quando cheguei ao destino final de Cha’llapampa, no norte da ilha, e pude ver as ruínas de Chincana, a mesa cerimonial de sacrifícios e a Pedra do Puma. Devo ter passado não mais do que 20 minutos ali, percorrendo os labirintos do que foi no passado um palácio inca.

Preocupada com  o horário, era hora de voltar e apressar o passo. Com mais descidas do que subida, fiz este trecho tranquilamente em 1 hora e meia, contra 3h30 da ida (!). Algumas das melhores visões que tive foram nesse momento, com o sol baixinho, quase mergulhando no lago. Voltei ao hotel a tempo de reverenciar os últimos 10 minutos de luz solar em uma cadeira confortável.

A temperatura caía consideravelmente e era hora de tomar uma sopa de quinua quentinha acompanhada por um chá de muña, erva típica local. Com a alma aquecida, fui dormir orgulhosa, desfrutando da felicidade que só é possível para quem arrisca e  supera seus pequenos ou grandes desafios.

Dicas: 

Copacabana

Onde fiquei: A vantagem de viajar à Bolívia é que mesmo com pouca grana você pode cacifar lugares realmente legais. Por 80 bolivianos fiquei num quarto single, mas com banheiro compartilhado no La Cupula. Para quartos com banheiro privativo, uma boa escolha pode ser o vizinho Las Olas. Ambos são muito procurados e precisam ser reservados com antecedência.

Onde comi: Fui ao restaurante do La Cúpula e achei uma delícia. Por lá, gasta-se uma media de b/40. Próximo a orla, há uma série de restaurantes mais movimentados, que ficam abertos até bem tarde. Nessa linha, vá provar a pizza ou os sanduíches do Pueblo El Viejo.

Ilha do Sol

Onde fiquei e comi: Hotel Palla Khasa. Fica mais afastado dos demais, mas está bem acima da média para os padrões da ilha. Paguei b/140 no quarto single com banheiro privativo. Existem hospedagens simples a partir de s/25, mas a vista incrível e o ótimo restaurante do Palla Khasa valeram o investimento.

UPDATE: Escreveram para o lachicademochila@gmail.com perguntando sobre as taxas de entrada na ilha. Achei importante complementar essa informação. Paguei 5 bolivianos para adentrar na parte sul (Yumani) e 15 na parte norte (Challa).

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