Viagem à Machu Picchu: Por que eu fiz a trilha inca.

Viagem à Machu Picchu: Por que eu fiz a trilha inca.                            Eu já havia ouvido falar muito da trilha inca e achava simplesmente que não era para mim. Aos 25 anos, nunca tinha acampado propriamente, tinha certa aflição de passar 4 dias sem tomar banho e duvidada da minha capacidade de andar não sei quantos quilômetros sob sol, chuva ou frio intensos. 

Trilha inca – E não é que era pra mim?

Por outro lado, não estava muito feliz dormindo no meu quarto em São Paulo, com um edredom ótimo e usando carro para me locomover sem cansar os pés.  É… quando nossa zona de conforto fica grande também é sinal de que nosso mundo está ficando pequeno.

Nessas horas, com o perdão dos possíveis clichês, não há remédio melhor do que se propor a viver. São aqueles momentos em que a gente só leva o essencial na mala e na cabeça e se dá um passe livre para experimentar o mundo que existe além da nossa rotina. E foi assim que me apaixonei pela idéia de viajar sozinha por 9 semanas pela América do Sul, coroando esse momento com a trilha inca clássica.

Catedral de Cusco

Após meses de pesquisa e preparação, lá estava eu pedindo saúde e proteção na belíssima Catedral de Cusco, que fica na Praça de Armas da cidade. Não sou católica, mas rezei com fé e a minha maneira.

Já na manhã seguinte, às 06h15, fui a primeira a entrar na van da Kintu Expeditions. Quando os outros integrantes do grupo foram chegando, não demorei a perceber que, para minha sorte, boa parte da experiência seria composta pelo relacionamento com aquelas pessoas.

Emma, Matt, Fabiana, Glauber, eu e Kazu. Companhia querida na trilha inca.

E assim foi. Com Glauber e Fabiana, de Brasília, aprendi a admirar a cumplicidade de um casal. Percebi que fazer a trilha era mais um dos vários  objetivos em comum que os uniam felizes há 15 anos. Além disso, assim como eu, eles tinham o ritmo “devagar e sempre”, o que nos permitiu compartilhar conversas longas das mais distintas, de orquídeas à planos para viagens futuras.

Com Matt e Emma, um casal jovem de australianos, tive uma lição de simpatia, parceria e, sobretudo, confiança. Ela havia pedido demissão para repensar a vida. Ele havia reprogramado as finanças para viabilizar o sonho da noiva, que viajaria sozinha por 5 meses pela América do Sul. Há 2 meses, recebi com alegria o convite de casamento deles!

E ainda havia Kazu, japonês, de Osaka, que surpreendeu a todos com seu pique e disposição para interagir apesar das barreiras lingüísticas e culturais. Ele havia chegado em Cusco após um vôo longo e cansativo, com a mala extraviada, sem dormir e com o fuso totalmente trocado. Ainda assim, no mesmo dia, emendou corajosamente o percurso. Sem falar na disciplina e prontidão extremas!

Quanto a equipe, Hernán, nosso guia, respondia com ânimo às milhares de perguntas que fazíamos. Também não há como esquecer da gentileza dos carregadores que, além de fazerem um trabalho muito duro, nos acordavam todas as manhãs com uma caneca de chá de coca fumegante para aplacar o frio. E ainda havia o cozinheiro que preparava uma comida energética e saborosa, apesar das circunstâncias adversas.

Carregadores na trilha rumo ao pico da montanha Warmiwañusca. Superação aos 4.200 metros de altitude.

Há ainda muitas outras pessoas, com as quais cruzei por alguns instantes, mas que através de um sorriso ou de uma palavra de incentivo me transformaram positivamente. Guardo na lembrança o momento em que, no segundo dia, enfrentei quase 9km de subida ininterrupta para atingir o pico da montanha Warmiwañusca, a 4.200 metros de altitude. Depois de horas de caminhada, avistei algumas dezenas de pessoas que estavam lá em cima, no ponto mais alto, esperando para aplaudir e parabenizar aqueles que, ofegantes e quase sem ânimo, completavam o trajeto.

São momentos pequenos compartilhados com muitas pessoas que nunca mais verei, mas por isso mesmo tão especiais. Por essas razões, e por muito mais, incentivo todos a participarem dessa experiência.

Vasculhe essa série de posts que eu preparei para o La Chica de Mochila. Se inspire, vá e depois me conte suas impressões!

>>> Como ir: Para chegar a Machu Picchu, você precisa pegar um vôo com destino a Lima. São 5 horas partindo de São Paulo e algumas das companias que te levam são LAN, TAM e TACA. A partir de Lima, você fará uma escala ou conexão e seguirá por mais 1h15 rumo a Cusco. De ônibus, o trajeto Lima-Cusco pode ser feito pela Cruz Del Sur, mas leva 21 horas! De Cusco, os viajantes seguem para Machu Picchu de trem ou por meio de alguma das trilhas.

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LEIA MAIS:  
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Como se preparar fisicamente para a trilha inca?
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A trilha inca é segura?
Trilha inca clássica e Salkantay. Preciso reservar ou posso comprar em Cusco?
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10 Respostas para “Viagem à Machu Picchu: Por que eu fiz a trilha inca.

  1. Pingback: Matchu Pitchu, Machu Pichu ou Machu Picchu? Conheça um dos destinos mais lindos e intrigantes do mundo. | La Chica de Mochila

  2. Oi Camila,
    Este é um dos meus sonhos: fazer a trilha inca.
    Ainda não fiz por medo de não aguentar.
    Você escreve muito bem e com paixão, o que me trouxe grande incentivo.
    Obrigada,
    Beijos

  3. Oi Maria!
    A trilha inca é incrível e pode ser feita por pessoas das mais diferentes idades. É só respeitar o seu ritmo e aproveitar cada minuto dessa experiência que une superação, diversão e muitas boas lembranças na memória.
    Bjs!

  4. Oi!!!
    Eu e minha prima estamos com viagem marcada, vamos em março e ficamos até abril. Adorei suas dicas e com certeza vou anotar várias delas.
    Acredito que essa viagem será um momento de reflexão e valorização para várias coisas de nossa vida… Abraço

  5. Olá!
    Acabo de conhecer seu blog e adorei. Você realmente escreve tudo com bastante entusiasmo. Faz 3 semanas que voltei do Peru e realmente é um país cheio de encantos e ao mesmo tempo, misterioso com suas lendas e histórias. Sou acreana e segui viagem com minha família (de carro) pela Interoceânica, ou Estrada do Pacífico, como conhecemos por aqui. Seguimos até Cusco, ficamos alguns dias por lá, e então fomos até Águas Calientes e no dia seguinte, tivemos o prazer de conhecer Machu Picchu. Ainda fizemos uma tentativa frustrada de subir a pé (rsrsrs), mas no fim deu tudo certo. Quero voltar mais vezes para conhecer o Titicaca, Lima, Nasca e , com certeza, rever as ruínas incas. Para quem ainda não foi mas pretende conhecer, Peru e suas belezas é um roteiro apaixonante!

  6. Oi Sany,

    Que bacana que você também adorou visitar o Peru. Vale mesmo a pena voltar mais vezes pra conhecer o lago Titicaca, Nasca, Lima e muitas outras cidades.

    Bjs!

    Camila Camargo
    La Chica de Mochila

  7. Nossa Camila!!!! Muito obrigada por criar este blog! Sou mochileira de primeira viagem, e escolhi Machu Picchu para iniciar esta jornada. Acabo de descobrir seu blog e os poucos posts que li me deixaram com mais vontade de concretizar este sonho! Vou acompanhar tudinho, com certeza.
    Obrigada!!!
    Bjos

  8. Camila! Muito bom seu blog!
    Estou me preparando para ir em julho e ainda estou montando o roteiro.
    Os quatro dias na trilha inca é realmente muuuuito cansativo? Tem que ter preparo fisico de um maratonista? Sei que tem que haver um preparo, gostaria de saber quanto. Outra coisa, ouvi falar de assaltos na trilha inca, vc ouviu algo a respeito? Agradeço desde já sua atenção. Vou sozinha e por isso as preocupações.
    Obrigada por compartilhar suas experiencias! =)

  9. A trilha inca é incrível e pode ser feita por pessoas das mais diferentes idades. É só respeitar o seu ritmo e aproveitar cada minuto dessa experiência que une superação, diversão e muitas boas lembranças na memória.

  10. A trilha inca é incrível e pode ser feita por pessoas das mais diferentes idades. É só respeitar o seu ritmo e aproveitar cada minuto dessa experiência que une superação, diversão e muitas boas lembranças na memória.

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